Quem pariu o genocida?

Julio MiragayaPor , (*)31/03/2021 às 8:00, Atualizado em 31/03/2021 às 7:56

O ex-deputado medíocre é mesmo um ingrato ao reclamar da Globo, do STF e do juiz ladrão. Quando seria eleito não fossem eles?

Fosse a pergunta feita no vestibular, a resposta certa seria: “Todas as respostas anteriores”. Sim, o juiz ladrão, por montar, junto com a quadrilha da “Farsa a Jato”, a trama para incriminar Lula; a Globo, assim como toda a grande mídia, por estimular o golpe contra a Presidenta em 2016 e pela campanha de criminalização de Lula e do PT; as FFAA por endossarem a candidatura do ex-capitão e ameaçarem o STF para negar o habeas-corpus a Lula; e o próprio STF por se subordinar às pressões das FFAA e da grande mídia, acompanhado pelo TSE, que indeferiu o direito de Lula concorrer à eleição de 2018. Enfim, o genocida teve várias “matrizes”.

Recapitulemos: em abril de 2018, após o STF – acovardado pelas ameaças das FFAA e pela pressão da “opinião pública vocalizada pela grande mídia” – ter negado seu habeas-corpus, Lula recebeu ordem de prisão do juiz ladrão. Ocorre que, mesmo preso, a pesquisa Datafolha de 22 de agosto de 2018, a 45 dias das eleições, apontava Lula com 39% das intenções de voto, o dobro dos 19% do genocida. Então entra em cena o TSE, e em 1º de setembro, indefere a candidatura de Lula, obrigando o PT a indicar o pouco conhecido Haddad, que tinha 4% das intenções de voto contra 22% do genocida.

Mas, com o apoio de Lula, mesmo da prisão, Haddad subira 18 pontos. Segundo o Datafolha de 28 de setembro, chegara a 22% e encostara no genocida, que mesmo beneficiado pela “facada” (que o afastou dos debates) tinha subido apenas 6 pontos, para 28%. E mais: projetava que, no 2º turno, Haddad venceria com 43% contra 37% do genocida. Aí entra em cena a Globo, apresentando no Jornal Nacional de 1º de outubro, matéria requentada de nove minutos com a delação mentirosa de Palocci, liberada pelo juiz ladrão, acusando Lula, Dilma, Dirceu e Gabrielli, coordenador da campanha de Haddad, de terem recebido propina. A “notícia” também foi capa da Folha de S.Paulo, Estadão e O Globo em 2/10/2018.

Assim, já no Datafolha de 4 de outubro, Haddad ficara estacionado em 22% e o genocida disparara para 35%. Três dias depois, obtinha 42% dos votos totais contra 27% de Haddad. A diferença que havia caído para 6 pontos, aumentara para 15. Mais um golpe da Globo. No 2º turno, com a torrente de fake news e a contribuição de Ciro Gomes, que se escondera em Paris, o genocida saiu vitorioso. Valera o esforço: em primeiro lugar, a todo custo, derrotar o PT!

Semana passada o juiz ladrão foi julgado parcial pelo STF, mas só depois de cinco anos de evidências e do estrago feito: Lula injustamente preso por 580 dias, o PT criminalizado e o genocida eleito. Os atentados ao devido processo legal eram tão escancarados que os próprios membros da “Farsa a Jato” apelidaram os procedimentos da 13ª Vara de Curitiba de “CPP (Código do Processo Penal) do Russo”.

Incluía julgamento só dos casos que politicamente lhes interessavam, mesmo que fora de sua jurisdição; uso de grampos telefônicos ilegais; vazamento de depoimentos para a Globo, mesmo os sob sigilo; depoimentos forjados, como o obtido pela delegada Érica; conduções coercitivas indiscriminadas, com direito a espetáculos televisivos; prisões temporárias ou preventivas para intimidar possíveis delatores; seleção apenas das delações que interessavam politicamente aos procuradores; oferta de “vantagens generosas” aos delatores; juiz orientando procuradores e vice versa.

O ex-deputado medíocre é mesmo um ingrato ao reclamar da Globo, do STF e do juiz ladrão. Quando seria eleito não fossem eles?

(*) Doutor em Desenvolvimento Econômico Sustentável, ex-presidente da Codeplan e do Conselho Federal de Economia

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