Quem “mandou” matar Bruno e Dom? Bolsonaro, óbvio!

BSB Capital 21/06/2022 às 9:00, Atualizado em 22/06/2022 às 10:54

Ele “autorizou” os crimes pregando o desprezo e a violência contra indígenas, quilombolas, ribeirinhos, camponeses e ativistas e avalizando todo tipo de ilícitos na região

Foto: Divulgação

Júlio Miragaya (*)

A Polícia Federal prendeu os assassinos confessos de Bruno e Dom, os pé rapados “Pelado” e “Dos Santos”, e, prematura e descaradamente, contra evidências apontadas pela União Indígena do Javari, afirma que não há mandantes dos crimes. Será? Vejamos.

Em abril de 1998, o então deputado Bolsonaro declarou ao Correio Braziliense: “Pena que a cavalaria brasileira não tenha sido tão eficiente quanto a americana, que exterminou os índios”. Em abril de 2015, em entrevista ao Campo Grande News, ele questionou: “Os índios não falam nossa língua, não têm dinheiro, não têm cultura. Como podem ter 13% do território nacional”.

Em janeiro de 2016, como pré-candidato à presidência, discursando no Congresso Nacional: “Em 2019 vamos ‘desmarcar’ a Raposa Serra do Sol. Vamos dar fuzil e armas a todos os fazendeiros”. Em junho de 2016, em entrevista ao Correio do Estado: “A reserva (indígena) que eu puder diminuir o tamanho dela, eu farei”.

Em abril de 2017, em entrevista ao Estadão: ‘Se eu chegar à Presidência, não vai ter um centímetro demarcado para terra indígena ou Quilombola”. Em agosto de 2018, no Espírito Santo: “Se eleito, vou dar uma foiçada no pescoço da Funai”. Em 7 de outubro de 2018, após vencer no 1º turno: “Vamos botar um ponto final em todo ativismo no Brasil”.

Alguma dúvida de quem “mandou” matar Bruno Pereira e Dom Phillips? Por que razão a PF chegou a tão rápida conclusão. Estaria evitando chegar à aliados e protegidos por Bolsonaro na Amazônia – garimpeiros e madeireiros ilegais, “empresários” da pesca e caça ilegal, grileiros, pecuaristas e sojeiros da turma do ‘ogronegócio”.

O “mito” concedeu uma espécie de “salvo-conduto” a esses “homens de bem”, que grilam e invadem terras públicas e unidades de conservação; que desmatam e promovem queimadas; que invadem e violentam as terras indígenas e quilombolas; que criminalizam as ONGs; que atacam postos da Funai e do Ibama; que assassinam lideranças indígenas, camponesas e religiosas e que eliminam os ativistas ambientais e dos direitos humanos que atrapalham seus “negócios”.

Bolsonaro, pregando o desprezo e a violência contra indígenas, quilombolas, ribeirinhos, camponeses e ativistas e avalizando todo tipo de ilícito na região, efetivamente “autorizou” o assassinato de Bruno Pereira e Dom Phillips.

O drama maior é ver como as instituições brasileiras se dobraram e continuam se dobrando a Bolsonaro: é a cumplicidade da PF; a truculência da PRF (casos Genivaldo e Vila Cruzeiro); a conivência do aparelho judiciário, com o STF e o STJ anulando as provas do crime de “rachadinha” do nº 2 e o TSE barrando a candidatura de Lula em 2018.

Aliás, os ataques de Bolsonaro ao STF e ao TSE demonstram o quão ele é ingrato, assim como os ataques à Rede Globo. Afinal, foi a “vênus platinada” o principal instrumento de disseminação das mentiras de Moro/Dallagnol, que pavimentaram sua eleição. Essas instituições, assim como as FFAA e o Congresso Nacional, precisam ser profundamente reformadas, tarefa que só uma Assembleia Nacional Constituinte exclusiva poderá fazê-lo.

Endividamento

Nada menos que 66 milhões de brasileiros estão endividados. Como a quase totalidade é composta por pessoas economicamente ativas (PEA), isto representa que seis em cada dez brasileiros encontram-se encalacrados com credores, notadamente bancos e financeiras; empresas de energia e telefonia e os odiosos crediários.

O dado não surpreende, pois cerca de 15% da PEA está desempregada, outros 30% em empregos precários e os que estão melhor empregados veem seus salários arrochados acabarem muito antes do fim do mês, corroídos pela inflação galopante. Eis o saldo de seis anos (3 com Temer, 3 com Bolsonaro) do liberalismo pós golpe.

(*) Doutor em Desenvolvimento Econômico Sustentável, ex-presidente da Codeplan e do Conselho Federal de Economia

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