Queda de Doyle reanima Brasília

orlandopontesPor ,12/06/2015 às 22:32, Atualizado em 12/06/2015 às 22:32

Políticos e setor produtivo apostam no fim da era do marketing de lamentações e que Rollemberg, enfim, assuma o comando do governo Caiu Hélio Doyle. O jornalista de 64 anos que montou a estratégia da campanha que levou Rodrigo Rollemberg (PSB) à vitória nas eleições de 2014 não é mais o chefe da Casa Civil …

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Foto Tony Winston Agência Brasília

Políticos e setor produtivo apostam no fim da era do marketing de lamentações e que Rollemberg, enfim, assuma o comando do governo

Caiu Hélio Doyle. O jornalista de 64 anos que montou a estratégia da campanha que levou Rodrigo Rollemberg (PSB) à vitória nas eleições de 2014 não é mais o chefe da Casa Civil do Governo de Brasília. Duraram apenas 161 dias os seus superpoderes. Ele perdeu a queda de braço com a classe política – especialmente os deputados distritais –, com o setor produtivo e com a imprensa.

A sociedade não “comprou” o pacote de pessimismo que o marqueteiro Doyle tentou vender nesses cinco meses. Ao contrário. A alegada “herança maldita” recebida de Agnelo Queiroz (PT) não foi digerida nem mesmo pelos aliados do Palácio do Buriti. Paradoxalmente, agora é Doyle quem deixa uma maldita herança para seu ex-chefe.

“O Rollemberg tem que arrumar um jeito de sair o mais rapidamente possível dessa armadilha que ele criou, de paralisar a cidade alegando falta de recursos”, afirma o senador Cristovam Buarque (PDT). O outro pedetista do DF no Senado, José Antônio Reguffe, vê em Doyle “uma pessoa do bem, mas sem o perfil para o cargo que ocupava”.

Os dois senadores dizem que torcem para que o governo dê certo e garantem que estão dispostos a ajudar no que estiver ao seu alcance. Ambos rechaçam troca de apoio por cargos no governo. “Não indiquei ninguém e nem vou indicar. Mas sei que tenho responsabilidade, por ter ajudado a eleger o Rodrigo”, explica Reguffe. “Chegou a hora do Rollemberg mostrar quem é o governador. E nós vamos colaborar em tudo o que for positivo”, completou Buarque.

Os dois senadores aceitaram o convite de participar de uma reunião com Rollemberg já na segunda-feira (15), pela manhã, no Palácio do Buriti. Eles vão acompanhados dos três deputados da legenda – Celina Leão, Joe Vale e Reginaldo Veras – e do presidente regional, Georges Michel.

“Vou reiterar que temos muitas idéias que dependem de poucos recursos. Basta usar a criatividade. E fique claro que não estou chateado por não ter indicado nenhum secretário. O que me incomoda mesmo é não conhecer o nome de 90% do secretariado de Rollemberg”, diz Cristovam. “Importaram um secretário de Fazenda de Fazenda de Minas Gerais (Leonardo Colombini). E eu, que sou senador e ex-governador, formado em Economia, nunca tinha ouvido falar nele e não fui consultado. É, no mínimo, uma descortesia”, insiste Buarque, que, como aliado, não quer indicar, mas “não abre mão do direito de vetar alguns nomes”.

A saída de Doyle renovou a esperança no setor produtivo de que a economia finalmente volte a funcionar no DF. Lideranças do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), da Federação do Comércio (Fecomércio), do Sindicato do Comércio Varejista (Sindivarejista), da Federação das Indústrias (Fibra) e da Associação Comercial (ACDF) evitaram comentar abertamente a troca de comando na Casa Civil. Mas todos admitem que “é hora de a esperança substituir o medo e de Rollemberg esquecer o retrovisor e começar a olhar para o futuro da capital da República”.

Sai Hélio Doyle. Em poucos dias assume seu posto o funcionário de carreira da Câmara dos Deputados, Sérgio Sampaio. Interinamente, ocupa a função o ex-adjunto da Casa Civil, Ricardo Taffiner. E, a exemplo do que o Brasília Capital previu na edição 206 (de 2 a 8 de maio), seus superpoderes devem ser divididos, com a criação de uma estrutura própria para gerir a Comunicação.

Assim, a Casa Civil voltará à sua função história de articulação interna do governo. E seu titular não terá a prerrogativa de ser “mais igual” do que os demais colegas de primeiro escalão. Para não cometer os mesmos equívocos de Doyle, com certeza Sampaio estará mais atento às demandas dos políticos e da sociedade, sem tentar empurrar goela abaixo de ninguém as suas convicções ou praticar pequenas vinganças pessoais com o uso da máquina e do dinheiro públicos.

 


 

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