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colaboradores, Curiosidades

Que calor é esse?

O ar-condicionado transformou nossa relação com a temperatura. Para o bem e para o mal

  • Redação
  • 20/02/2026
  • 08:00

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Imagem: IA

Cecília Garcia (*)

O ano de 2023 foi o mais quente da história brasileira, até ser desbancado por 2024. Mas 2025 não ficou muito atrás, já que foi considerado o sétimo ano mais quente desde 1961. Esse aumento nas temperaturas tem levado os brasileiros a mudar sua relação com o calor. Um indício é que a procura por aparelhos de ar-condicionado cresceu 36% no ano passado, segundo a Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava).

Mas você sabia que esse recurso não foi criado para o nosso conforto? A invenção de Willis Carrier nasceu para salvar papel e tinta. Em 1902, a gráfica Sacket & Wilhelms, no Brooklyn (Nova York, EUA), passava por uma grande dificuldade: a umidade do ambiente fazia com que a textura dos papéis fosse alterada. 

Com isso, no momento da impressão, as cores ficavam desalinhadas, acarretando prejuízos. Diante da situação, o engenheiro Carrier foi contratado para resolver o problema. O projeto que solucionaria o caso da gráfica é datado de 17 de julho de 1902, sendo o primeiro aparelho moderno de resfriamento de ar.

O que nasceu como solução para a indústria, foi adaptado ao longo de anos e veio a ser o utensílio que encontramos hoje em casas, meios de transporte e até mesmo vestuário. No Japão, por exemplo, trabalhadores recorrem a jaquetas com ar-condicionado embutido para lutar contra o calor extremo. Esta tecnologia foi criada pelo engenheiro Hiroshi Ichigaya e é empregada no país desde 2004.

Mas todo esse conforto segue uma lógica do cachorro que persegue o próprio rabo. Quanto maior o calor, mais aparelhos de ar-condicionado são comprados e instalados. Quanto mais aparelhos são ligados, maior é a quantidade de energia consumida. Quanto mais energia consumida, maior o aquecimento do planeta. Com o aquecimento, há o aumento nas temperaturas, cresce o consumo e por aí vai. Trata-se de um ciclo.

Claro que o aparelho, por si só, não é responsável pelas mudanças climáticas, mas talvez contribua com o problema. De um jeito ou de outro, a sensação de entrar num ambiente fresquinho depois caminhar no calor é imbatível.

(*) Jornalista

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