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Consciência Negra, Distrito Federal

Quanto mais preto, menos direitos

É o que revela Mapa das Desigualdades do DF

  • Ana Mendonça
  • 20/11/2025
  • 10:00

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Arte: BSB Capital

Ana Mendonça e Nathália Guimarães

Apesar de ser majoritariamente negro, com 57,4% da população composta por pessoas pretas e pardas, o Distrito Federal permanece organizado para privilegiar regiões brancas e ricas. É o que revela a última edição do Mapa das Desigualdades do DF 2023, realizado pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc). O estudo mostra que as periferias concentram falta de saneamento, insegurança alimentar, longos deslocamentos e baixa oferta de equipamentos públicos.

Para quem vive esse cotidiano, os números apenas confirmam o óbvio. Esta é a realidade de Luana Andrade, de 26 anos, residente em Ceilândia Norte. Em 2018, ela realizou o sonho de passar no vestibular da Universidade de Brasília (UnB) para Serviço Social no Campus Darcy Ribeiro, na Asa Norte.

“Sempre foi complicado sair de Ceilândia para o Plano Piloto. Eu estudava no turno noturno para trabalhar durante o dia. Só tem um ônibus direto da faculdade para cá, que passa entre 22h e 22h30. Eu chegava em casa só depois das 23h, o que é mais perigoso para uma mulher”, relembra, ao comparar sua situação com a de seus colegas que moravam no Plano Piloto e iam até a UnB a pé ou de bicicleta. 

Luana Andrade: “O maior desgaste não vem do trabalho, mas dos deslocamentos.” Foto: Arquivo Pessoal

“É aí que vemos o quanto as realidades são diferentes. Se eu quisesse estar na UnB às 8h, precisava pegar o ônibus às 5h30. Um amigo meu que assistia aula nesse horário, acordava às 7h30. Isto influencia na qualidade de vida. Quem mora longe perde tempo de sono, ou chega muito tarde em casa”, completa Luana, que na época era estagiária no Ministério da Cidadania, e foi comparada com outro funcionário que nunca se atrasava.

“Precisei falar que morava em Ceilândia e ele na Asa Norte”, desabafa a hoje assistente social, que continua morando em Ceilândia e estudando para concursos públicos, enquanto se mantém com dois empregos – um no Ibama, na Asa Norte, e outro numa papelaria no Lago Norte. Ela pega três conduções diárias, nas quais perde ao menos quatro horas por dia. “O maior desgaste não vem do trabalho, mas dos deslocamentos”, afirma, lamentando que isto lhe tira o tempo para se preparar melhor para as provas de concursos. “Esta dificuldade é enfrentada por quem vive nas Regiões Administrativa e precisa acessar serviços, trabalho e educação no Plano Piloto”.

DESIGUALDADE – O Mapa das Desigualdades evidencia uma contradição central: quanto mais negra é a Região Administrativa, piores são os indicadores sociais. Localidades como Estrutural, Fercal, Sol Nascente e Itapoã registram índices alarmantes de insegurança alimentar, baixa renda, falta de saneamento, transporte precário e déficit de creches e equipamentos culturais.

Enquanto isso, Lago Sul, Lago Norte, Sudoeste e Park Way são as áreas de maior renda, menor presença de população negra e, simultaneamente, concentram infraestrutura de qualidade, serviços públicos reforçados e acesso ampliado a oportunidades. O relatório ainda denuncia que o orçamento do DF não prioriza políticas de redução de desigualdades, com pouca transparência e investimentos concentrados em obras voltadas ao transporte individual. 

O racismo atual

Para a professora e historiadora da UnB. Renísia Cristina Garcia Filice, interpretar as desigualdades do DF exige olhar para o racismo tal como ele opera hoje: dissimulado, cotidiano e profundamente enraizado nas práticas sociais. “Me incomoda falar do racismo atual sempre voltando ao passado. Não é sobre isso. O racismo hoje é tão cruel quanto, mas muito mais dissimulado”, afirma.

Renísia Cristina: “Para pensar essa ocupação dos espaços é necessário sempre considerar gênero, raça, classe e território.” Foto: Arquivo Pessoal

Segundo Renísia, a tendência de explicar tudo como uma herança escravocrata impede que a sociedade enxergue as formas contemporâneas de discriminação, que aparecem na desigualdade de acesso à cidade, na distribuição de recursos, na violência simbólica e na naturalização da subalternização da população negra. “O racismo tem muito mais a ver com práticas. É a perspectiva introjetada de que o negro é subalterno, que não tem os mesmos direitos”.

Na avaliação da historiadora, a concepção urbanística de Brasília contribui para reforçar desigualdades raciais. “Asa Norte, Asa Sul, Lago Norte, Lago Sul, Sudoeste/Octogonal… são regiões que concentram pessoas com maior poder aquisitivo e melhor infraestrutura. Para pensar essa ocupação dos espaços é necessário sempre considerar gênero, raça, classe e território.”

Regiões de alto padrão continuam recebendo mais investimentos e concentram equipamentos públicos de qualidade, o que aprofunda as distâncias entre centro e periferias. Além de serem majoritariamente brancas, essas áreas oferecem vantagens que não se estendem às RAs mais pobres, onde vive a maior parte da população negra. (Veja gráfico)

As regiões menos assistidas por infraestrutura, recursos, investimentos são aquelas com maior população negra. Fonte: PDAD/DF

JUVENTUDE – Perguntada sobre a concentração de jovens negros em regiões como Fercal, Estrutural e São Sebastião, em contraste com índices baixíssimos em regiões centrais, a historiadora é direta: “A concentração de renda é determinante. Não tem como analisar a questão racial sem colocar gênero, classe e território”.

A professora conta que as regiões periféricas nasceram de ocupações desordenadas por pessoas que vieram a Brasília para trabalhar, mas não tinham condições de pagar pelo custo de vida das áreas centrais. A desigualdade racial se reforça porque famílias negras ocupam, em sua maioria, trabalhos menos remunerados e com pouca estabilidade.

Mesmo sendo relativamente jovem, o DF reproduz desigualdades históricas e as violências contra pessoas negras continuam se reinventando. “A violência policial, a invisibilidade das produções negras, a condição de subalternidade… tudo isso faz com que jovens introjetam visões discriminatórias e sigam praticando violência racial no cotidiano”.

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