PSB e Cidadania protocolam nesta sexta-feira (23), às 15h, na Câmara Legislativa, um pedido de impeachment contra o governador Ibaneis Rocha (MDB), em razão do que chamam de “escândalo envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB)”.
O documento será assinado e entregue pessoalmente por Ricardo Cappelli, ex-interventor da Segurança Pública e pré-candidato ao GDF pelo PSB, ao lado dos ex-governadores Cristovam Buarque e Rodrigo Rollemberg, presidente do Cidadania-DF e deputado federal, respectivamente, e de Rodrigo Dias, presidente do PSB-DF.
Segundo as legendas de oposição, há indícios de gestão fraudulenta e possível envolvimento direto do governador nas negociações, o que caracterizaria crime de responsabilidade, com danos ao patrimônio público e à população do DF. Caberá agora à CLDF analisar o pedido.
“A declaração do banqueiro Daniel Vorcaro dizendo que acertou com o próprio governador Ibaneis Rocha as transações fraudulentas envolvendo o Master e o BRB causaram e causarão danos irreparáveis à população do Distrito Federal”, diz trecho do documento.
O caso envolve a tentativa de venda do Banco Master ao BRB, que aportou R$ 16,7 bilhões entre 2024 e 2025 na instituição que era presidida por Vorcaro. Antes que fosse sacramentada, a operação foi barrada pelo Banco Central, que decretou a liquidação do Master em novembro do ano passado pela “grave crise de liquidez do grupo” e “pelo comprometimento significativo da sua situação econômico-financeira”, bem como por sérias violações às normas que regem a atividade das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Um inquérito no Supremo Tribunal Federal, que tramita em sigilo, apura as irregularidades que geraram, de acordo com a PF, um rombo estimado em R$ 41 bilhões.
Depoimento
À PF, Daniel Vorcaro afirmou ter conversado com Ibaneis Rocha sobre a negociação e relatou encontros com o governador, inclusive em sua residência. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (23) pelo jornal Estado de S. Paulo.
Após a publicação da matéria, Ibaneis admitiu ao menos quatro encontros com Vorcaro, mas nega ter tratado de qualquer assunto relacionado ao BRB ou ao Master. “Entrei mudo e saí calado. O único erro meu foi ter confiado demais no Paulo Henrique [Costa, ex-presidente do BRB]”, afirmou o governador.