A contestação à Eurovisão 2026 continua a ganhar força. Ontem, manifestantes se reuniram em frente à emissora pública sérvia, a RTS, para exigir que a Sérvia se retire da edição deste festival, em razão da participação de Israel. No coração de Belgrado, os protestantes levantaram bandeiras palestinianas, acusando Israel de genocídio. Eles fizeram um apelo à RTS para que não transmitisse o festival e instaram os cidadãos a boicotarem o evento, Eslovénia Troca Eurovisão por Filmes sobre Palestina em 2026 mesmo com a Sérvia sendo representada pela aclamada banda de metal Lavina.
“Uma Eurovisão sem Israel significaria defender os ideais que este evento proclama”, afirmaram os organizadores do protesto em um comunicado. Vale lembrar que, em dezembro passado, os organizadores da Eurovisão decidiram permitir a participação de Israel, uma escolha que resultou na saída de países como Eslovênia, Espanha, Países Baixos, Islândia e Irlanda. A RTVE, a emissora pública da Espanha, optou por não transmitir a Eurovisão, uma decisão inédita desde 1961.
Já a emissora irlandesa RTÉ anunciou em dezembro que também não participaria nem transmitiria o evento. Recentemente, a RTV Slovenia confirmou que não exibirá o concurso e, em vez disso, optou por apresentar uma série de filmes sobre a Palestina. “Não iremos transmitir o Festival Eurovisão da Canção”, declarou Ksenija Horvat, diretora da RTV Slovenia, à AP. “Vamos exibir a série de filmes ‘Voices of Palestine’, que inclui documentários e longas-metragens palestinianas.”
Enquanto isso, os Países Baixos e a Islândia vão, sim, transmitir a Eurovisão em suas emissoras públicas, a NPO e a RÚV, respectivamente. Este ano, a competição, que celebra o 70.º aniversário da Eurovisão, contará com a participação de 35 países e está programada para acontecer em Viena, de 12 a 16 de maio.
Contudo, apesar do lema “United by Music”, esta edição se destaca como a mais polêmica de todas. A Eurovisão tem sido criticada por sua aparente hipocrisia ao permitir a participação de Israel, enquanto a Rússia está excluída desde 2022, após a invasão da Ucrânia.
Recentemente, milhares de artistas, incluindo nomes como Massive Attack, Kneecap, Mogwai, Brian Eno, Sigur Rós e Nadine Shah, assinaram uma carta aberta pedindo aos fãs que boicotem o evento.
“Como músicos e trabalhadores da cultura, muitos dos quais atuam nas áreas da [EBU], rejeitamos que a Eurovisão seja utilizada para branquear e normalizar o genocídio, o cerco e a brutal ocupação militar de Israel contra os palestinianos”, diz a carta, que foi organizada pelo movimento No Music for Genocide e pela campanha BDS. “Manifestamos solidariedade com os apelos palestinianos para que canais públicos, intérpretes, organizadores de transmissões públicas, equipes técnicas e fãs se unam ao boicote até que a EBU exclua a emissora israelita KAN, considerada cúmplice.”
Por sua vez, Israel tem negado consistentemente as acusações de genocídio em Gaza.
Entretanto, em setembro de 2025, um inquérito das Nações Unidas apontou que Israel estaria cometendo genocídio. A Eurovisão, reconhecida como o maior evento musical do mundo, atraiu 166 milhões de espectadores em suas edições anteriores.