Os Correios registraram prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, mais que o triplo do resultado negativo de 2024, quando o rombo foi de R$ 2,6 bilhões. Os dados foram divulgados pela própria empresa nesta quinta-feira (23). O salto de 226% expõe o momento mais crítico da estatal em anos e pressiona o governo a buscar soluções para equilibrar as contas.
A piora veio mesmo com receita de R$ 17,3 bilhões no período, que ainda assim caiu cerca de 11% em relação ao ano anterior. Entre os principais fatores estão o aumento expressivo de despesas com processos judiciais, que somaram cerca de R$ 6,4 bilhões, além da elevação de custos operacionais e queda de receitas.
Na prática, o cenário afeta desde a capacidade de investimento até a qualidade dos serviços. Com menos dinheiro em caixa, a empresa enfrenta dificuldades para modernizar a operação, competir com empresas privadas de logística e manter prazos de entrega eficientes em todo o país.
O resultado negativo ocorre mesmo após a estatal recorrer a empréstimos bilionários com garantia do Tesouro e implementar um plano de reestruturação. A estratégia inclui cortes de gastos, programas de demissão voluntária e tentativa de reorganizar as finanças, mas os efeitos ainda devem levar tempo para aparecer.
Outro dado que preocupa é o patrimônio líquido, que terminou 2025 no vermelho em mais de R$ 13 bilhões, indicando que a empresa acumula dívidas superiores aos seus ativos.
Diante desse cenário, especialistas e o próprio governo já admitem que a recuperação não será rápida. A expectativa é que o processo de ajuste se estenda pelos próximos anos, com impacto direto nas contas públicas e no funcionamento de uma das empresas mais tradicionais do país.