Os preços do petróleo dispararam nesta segunda-feira, 1º de junho de 2026, em meio a um cenário tenso de conflitos no Oriente Médio. A troca de ataques entre Irã e Estados Unidos, junto com a decisão de Israel de mobilizar tropas no Líbano contra o grupo Hezbollah, que conta com o apoio de Teerã, acendeu um alerta no mercado.
A agência de notícias iraniana Tasnim informou que o Irã havia interrompido as negociações com os Estados Unidos, mediadas por terceiros, devido aos recentes confrontos no Líbano. Às 10h48, no horário de Brasília, os contratos futuros do petróleo Brent já registravam um aumento de 4,76%, alcançando US$ 95,46.
O WTI, por sua vez, subia 5,80%, para US$ 92,40 o barril. Vale lembrar que, em maio, ambos os tipos de petróleo enfrentaram perdas significativas, de cerca de 19% e 17%, respectivamente. Essa foi a maior queda mensal desde março de 2020, um período em que a pandemia de COVID-19 afetou drasticamente a demanda por energia.
Na bolsa de valores, as ações globais mantiveram-se estáveis, próximas das suas máximas históricas, impulsionadas, em grande parte, pela crescente demanda gerada pelo avanço da inteligência artificial. É interessante notar que o petróleo tende a ser negociado em conjunto com outros ativos considerados mais arriscados, como as ações.
Com a escalada dos combates no Oriente Médio, as esperanças de um anúncio iminente sobre a extensão do cessar-fogo entre os EUA e o Irã diminuíram. O presidente americano, Donald Trump, havia afirmado na sexta-feira que tomaria uma decisão em breve sobre uma proposta para prorrogar o cessar-fogo estabelecido no início de abril. A participação de Israel é vista como crucial para qualquer acordo desse tipo, enquanto o Irã reiterou que tanto o Hezbollah quanto o Líbano devem ser parte das negociações.
Além disso, as preocupações em torno do Estreito de Ormuz, uma rota vital para o transporte de petróleo e gás, aumentaram. Analistas têm alertado que, mesmo que um acordo seja firmado, isso não garantirá um fluxo contínuo e robusto de suprimentos. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, apontou que a lentidão no progresso diplomático se deve, em grande parte, à falta de confiança e às posições contraditórias de Washington.
Por fim, apesar dos dados econômicos do fim de semana da China, que revelaram uma estagnação na atividade industrial, as preocupações sobre a oferta de petróleo ainda dominaram o cenário. O Goldman Sachs destacou que a fraca demanda na China e na Europa pode representar um risco de queda para as suas previsões de preços no quarto trimestre, embora as interrupções no fornecimento oriundas do Oriente Médio ainda possam pressionar os preços para cima.