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colaboradores, Internacional, Uncategorized

Possível desacordo entre Trump e Netanyahu

Americano precisa de trégua no Irã antes das eleições de novembro. Israelense se fortalece com a guerra

  • Júlio Miragaya
  • 14/04/2026
  • 08:00

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Foto: Isac Nóbrega/PR

Júlio Miragaya (*)

Em outubro próximo, enquanto a eleição no Brasil estará decidindo entre o progresso e o retrocesso sociopolítico, também haverá eleições decisivas em Israel e EUA (3/11), mas em contextos absolutamente distintos. Para Trump, a agressão ao Irã fez despencar sua popularidade e a continuidade do estado beligerante poderá resultar em derrota nas eleições que renovarão 100% da Câmara e 1/3 do Senado. Para Netanyahu é o oposto. Realizar as eleições com Israel em guerra com seus vizinhos é a condição não só para mais uma reeleição, mas também para evitar que, perdendo, venha a ser preso por corrupção e ataques ao Judiciário.

Exatamente por isso que, passadas poucas horas do anúncio em 7/4 da frustrada trégua de duas semanas entre EUA/Israel e Irã, o fascista Netanyahu bombardeou o Líbano, numa clara sabotagem ao acordo negociado pelo Paquistão. Bairros residenciais de Beirute, de Sidon, o vale do Bekaa e todo o sul do País viverem momentos de terror, amargando 357 mortes e 1.200 feridos. E nos 4 dias seguintes os bombardeios continuaram matando de 10 a 20 pessoas/dia. Netanyahu fez no Líbano o que vem fazendo em Gaza, onde, desde o cessar-fogo negociado com o Hamas há seis meses, o exército de Israel já matou mais de 750 palestinos, que se somaram a outros 72 mil mortos antes do cessar-fogo. 

Nos 40 dias anteriores a 7 de abril, foram milhares de mortos e feridos. Entre os países agredidos, 2.076 mortos no Irã (3.527 segundo a HRANA), 1.580 no Líbano e 116 no Iraque, além de 32 mil feridos e 4,5 milhões deslocados de suas casas. EUA e Israel alegam alvos exclusivamente militares. Mas como explicar que destruíram ou danificaram, segundo o Crescente Vermelho, 236 centros de saúde e 760 escolas, incluindo a escola de meninas em Minab, onde morreram 150 crianças. 

Entre os países agressores e seus aliados, 28 mortos em Israel, 30 nos países do Golfo Pérsico e 13 militares norte-americanos, além de cerca de 7,7 mil feridos (7,2 mil em Israel). A destruição de infraestrutura econômica dos dois lados do conflito já resultou em perdas da ordem de US$ 350 bilhões. 

A negociação de uma trégua de duas semanas representou uma derrota política do imperialismo norte-americano. A arrogante declaração de Trump de que “uma civilização inteira morrerá esta noite” desnuda o seu menosprezo não só em relação à história milenar (5 mil anos) da civilização persa, como em relação ao poderio militar do Irã. 

Cinco das seis condições colocadas na mesa pelo Irã são bem razoáveis: a) garantia de não haver mais agressões; b) abertura do estreito de Ormuz, administrado pelo Irã e Omã, com a cobrança de “pedágio” dos navios para levantar recursos para a reconstrução do País; c) constituição de um fundo de indenizações; d) fim das sanções econômicas ao Irã; e) direito de o Irã enriquecer urânio para fins pacíficos. Apenas a retirada das tropas dos EUA do Golfo não é factível. Mas as 15 condições colocadas pelos EUA são inaceitáveis e a trégua pode ser rompida a qualquer momento. 

Alguns analistas “ingênuos” viram contradição entre o discurso de campanha de Trump, de que não iria envolver os EUA em guerras, e a realidade nesses 15 meses de seu 2º mandato. Mas não há contradição alguma, pois qualquer imperialismo não sobrevive sem guerras. Não se trata de uma opção, mas de uma necessidade, pois a economia bélica é o dínamo da economia capitalista em sua fase senil. 

Por isso Trump quer elevar o orçamento militar dos EUA de US$ 900 bilhões para US$ 1,5 trilhão. Para tanto, declarou guerra ao próprio povo norte-americano, com sua “Gestapo” (ICE) perseguindo imigrantes e promovendo cortes nos gastos sociais. Sua declaração de que “creche ou atendimento médico não é problema federal, é problema dos estados, pois o governo federal tem que cuidar só de uma coisa, a proteção militar”, é expressão desse desprezo pelo povo.

ECONOMIA – O mundo viveu momentos de incerteza com o fechamento do estreito de Ormuz e a consequente disparada do preço do petróleo, mas com o anúncio da trégua a euforia voltou a tomar conta dos mercados capitalistas mundo afora, inclusive no Brasil. O dólar esteve próximo de fechar abaixo dos R$ 5 (chegou a R$ 6,30 em dezembro de 2024) e o Ibovespa esteve prestes a romper a marca histórica dos 200 mil pontos (abriu 2003, início do governo Lula, em 106 mil pontos). 

Ocorre que, com Trump, a euforia se dissipa rapidamente. Num cenário de petróleo estável, há controvérsias sobre o motivo da euforia do mercado no Brasil: seria pelos resultados positivos da economia brasileira (com exceção do alto endividamento das famílias), ou seria exatamente pelo elevado endividamento das famílias (obra do BC) ter aumentado a possibilidade de eleger o miliciano neoliberal?

(*) Doutor em Desenvolvimento Econômico Sustentável, ex-presidente da Codeplan e do Conselho Federal de Economia

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Doutor em Desenvolvimento Econômico Sustentável, ex-presidente da Codeplan e do Conselho Federal de Economia

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