Porque lutar vale a pena

bsbcapitalPor ,15/01/2016 às 22:10, Atualizado em 09/07/2016 às 3:37

Rosilene Corrêa (*) Em toda a história da humanidade nenhum direito da classe trabalhadora foi concedido generosamente pelos “donos” do poder. Tudo foi duramente conquistado por meio da luta política em todos os seus formatos. E assim ocorre com a história do movimento docente do Distrito Federal (DF): graças à luta de professores e professoras …

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Rosilene Corrêa (*)

Em toda a história da humanidade nenhum direito da classe trabalhadora foi concedido generosamente pelos “donos” do poder. Tudo foi duramente conquistado por meio da luta política em todos os seus formatos.

E assim ocorre com a história do movimento docente do Distrito Federal (DF): graças à luta de professores e professoras ao longo das décadas, no DF, conquistamos direitos fundamentais para a valorização da nossa categoria e da escola pública, bem como avançamos na luta por uma educação democrática, inclusiva e de qualidade.

A jornada ampliada, as conquistas salariais, a gestão democrática, a resistência aos anos de chumbo e a uma gama de outros ataques que sempre sofremos, tudo isso só se materializou porque foi obra da ação coletiva unificada de uma categoria unida, forte e sem medo de encarar os desafios. Nada foi fácil.

Ao longo dessa história, milhares de professores e professoras foram à luta e comprometeram tempo, saúde, energia, família. Empenharam tudo de si para conquistar e assegurar direitos e fazer nossa categoria avançar para chegar aonde chegou hoje. Fazer greve nunca foi fácil.

Ninguém faz greve porque gosta ou porque prefere o enfrentamento ao diálogo. Dedicamos nosso sangue, suor e lágrimas em todos os momentos dessa luta, contudo, e principalmente, quando somos obrigados a romper o curso normal do ano letivo para fazer greve porque nosso patrão, o governo, fecha os canais de negociação e se posiciona, de forma intolerante, para nos fazer perder direitos. Dedicamo-nos a processos coletivos que contemplaram (e contemplam) toda a categoria indistintamente.

Sabemos que quando chega o fim de um processo de greve que tanto nos cansou – afinal, fazer greve não é ficar em casa esperando a greve acabar (e sim trabalhar muito!) –,voltamos para as salas de aula de cabeça erguida, cientes de que demos aos nossos estudantes uma aula extraclasse de cidadania. Cientes, também, de que nossa categoria é a única que repõe dias de greve porque lidamos com o bem mais precioso que a humanidade dispõe: corações, mentes e conteúdos.

Nós, que cruzamos os braços, que fomos às ruas, que nos arriscamos, que visitamos dezenas e dezenas de escolas para dialogar com nossos e nossas colegas, que passamos madrugadas em reuniões e em preparação de atividades, que também desfrutamos da convivência uns dos outros, aprendemos muito juntos. Nós também nos indignamos e, sobretudo, nos movimentamos, porque, como bem escreveu Rosa Luxemburgo, “quem não se movimenta não sente as cadeias que o prendem”.

Graças aos professores e às professoras que hoje, em pleno janeiro, estão em sala de aula repondo dias de greve, impedimos que terríveis retrocessos comprometessem o caráter público e democrático da educação e que nossa categoria fosse prejudicada pela revogação de direitos históricos, os quais custaram lágrimas, sangue e suor da classe trabalhadora para existirem.
Trabalhamos dobrado para construir a educação pública de qualidade e a valorização da nossa categoria. Parabéns, categoria! Nossas lições ficarão escritas na história do Distrito Federal.

(*) Diretora do Sinpro e coordenadora da Secretaria de Finanças


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