Pokémon Go, lançado em 2016 pela Niantic, uma subsidiária do Google, se tornou um fenômeno global. Esta versão de realidade aumentada da famosa franquia rapidamente conquistou jogadores em todo o mundo, de Chicago a Oslo e Enoshima. “Em apenas 60 dias, cinco centenas de milhões de pessoas baixaram o aplicativo”, afirma Brian McClendon, CTO da Niantic Spatial, uma empresa de inteligência artificial criada pela Niantic em maio do ano passado. Segundo a Scopely, desenvolvedora de jogos que adquiriu Pokémon Go da Niantic, o jogo ainda atraía mais de 100 milhões de jogadores em 2024, oito anos após seu lançamento.
Agora, a Niantic Spatial está aproveitando um vasto acervo de dados coletados — imagens de pontos turísticos com localizações precisas, capturadas pelos celulares de milhões de jogadores de Pokémon Go — para desenvolver um modelo do mundo real, fundamentando a inteligência dos LLMs em ambientes concretos.
Recentemente, a empresa lançou um modelo capaz de identificar sua posição em um mapa com precisão de poucos centímetros, com base em algumas fotos de edifícios ou marcos visíveis. O objetivo é utilizar essa tecnologia para ajudar robôs a navegar com maior exatidão em locais onde o GPS pode falhar.
Na primeira grande teste dessa tecnologia, a Niantic Spatial se uniu à Coco Robotics, uma startup que opera robôs de entrega de última milha em várias cidades dos EUA e Europa. A Coco Robotics coloca em circulação cerca de 1.000 robôs do tamanho de uma mala — capazes de transportar até oito pizzas grandes ou quatro sacolas de supermercado — em Los Angeles, Chicago, Jersey City, Miami e Helsinque. Segundo o CEO Zach Rash, esses robôs já realizaram mais de meio milhão de entregas, percorrendo milhões de milhas em diversas condições climáticas.
Para se equiparar aos correios tradicionais, os robôs da Coco, que se deslocam a uma velocidade média de cinco milhas por hora, precisam ser extremamente confiáveis. “A melhor maneira de cumprirmos nossa missão é chegar exatamente no horário que prometemos,” afirma Rash. Isso implica em evitar que se percam. O desafio que a Coco enfrenta é a ineficiência do GPS, que muitas vezes apresenta falhas em áreas urbanas devido a interferências nos sinais. “Realizamos entregas em regiões densas, repletas de arranha-céus e viadutos, e é exatamente nesses locais que o GPS costuma falhar,” explica Rash. A Niantic Spatial está abordando essa questão por meio de seu sistema de posicionamento visual, que utiliza dados coletados de jogadores de Pokémon Go e Ingress para ajudar os robôs a se locomoverem com segurança e precisão pelo mundo.