Pardais viram caça-níqueis

BSB Capital29/06/2015 às 16:32, Atualizado em 29/06/2015 às 16:32

Excesso de equipamentos eletrônicos enche os cofres do Detran e do DER. Agentes não cumprem a função de educar os motoristas Gustavo Goes “Freia, que o pardal é de 60!”. A frase é quase um mantra repetido pelos caronas, verdadeiros co-pilotos dos motoristas brasilienses que muitas vezes não percebem a abrupta mudança de velocidade máxima …

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Foto: Tony Winston/Agência Brasília
Foto: Tony Winston/Agência Brasília

Excesso de equipamentos eletrônicos enche os cofres do Detran e do DER. Agentes não cumprem a função de educar os motoristas

Gustavo Goes

“Freia, que o pardal é de 60!”. A frase é quase um mantra repetido pelos caronas, verdadeiros co-pilotos dos motoristas brasilienses que muitas vezes não percebem a abrupta mudança de velocidade máxima permitida nas vias do Distrito Federal. Driblar essas armadilhas caça-níqueis montadas pelo Departamento de Trânsito (Detran) e pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) tornou-se um desafio.

É comum em diversas pistas da capital da República a mudança da velocidade máxima permitida. E o pior: sem a sinalização adequada para alertar o condutor. O resultado é mais uma linha de produção da “Indústria da Multa” instalada no DF pelo Detran e pelo DER. Tudo isso por trás do disfarce do aumento da segurança do trânsito, em que o agente humano perde espaço para os radares eletrônicos, apelidados de “pardais”.

Em nome dessa tal segurança, a cada dia os órgãos reguladores reduzem ainda mais a velocidade das vias, aumentando a lentidão e os engarrafamentos, para estresse dos motoristas. Os tais pardais se reproduzem pendurados nos postes na mesma velocidade em que atrapalham o fluxo do trânsito em todo o Distrito Federal. Eles ajudam a ordenar o fluxo de veículos e a monitorar as vias, mas funcionam bem melhor como fontes arrecadadoras para abarrotar os cofres do Detran e do DER com o dinheiro de multas nem sempre aceitáveis.

Enquanto a população da ave que apelida os equipamentos eletrônicos diminui a cada ano, os pardais-radares só aumentam. O Distrito Federal possui 1.003 pardais em funcionamento, enquanto São Paulo e Goiânia possuem 897 e 280, respectivamente. Isto para uma frota de 1,5 milhão de veículos no DF e de 8 milhões na capital paulista e de 1,1 milhão na goiana. Ou seja, temos em Brasília um radar eletrônico para cada grupo de 1,5 mil automóveis. São Paulo, a maior frota de veículos no país, possuiu um radar para cada 8,9 mil automóveis e Goiânia, um para cada 3,9 mil.

Ao contrário do DF, onde o dinheiro das multas vai direto para o Detran e para o DF, considerados autarquias, em São Paulo e em Goiânia a arrecadação é feita pelas prefeituras, por meio de secretarias e empresas terceirizadas. O Brasília Capital apurou e constatou um lucro de R$ 48 milhões do Detran e do DER até abril deste ano. No ano passado, apenas o Detran arrecadou R$ 106 milhões.

 

Armadilhas

Avenidas das Nações l4 sul 813 (2)
Radares com pouca sinalização e em pontos estratégicos são armadilhas para Detran pegar infratores. Foto: Allan Gabriel

Além da grande quantidade de pardais, o motorista se depara com armadilhas em várias pistas do Distrito Federal. É comum o brasiliense passar por mais de um pardal em uma mesma via e, muitas vezes, com velocidades diferentes. Entretanto, esses pardais nem sempre são precedidos da sinalização adequada, inclusive em barreiras eletrônicas, como prevê a legislação vigente. Isto confunde os motoristas e contribui para o enriquecimento dos órgãos reguladores de trânsito.

O Brasília Capital listou os pontos de maior perigo ao bolso do motorista brasiliense e recebeu a opinião de leitores. Entre as várias reclamações de mudança de velocidade, estão: o trecho entre a Avenida das Nações (via L4) e a Estrada Parque Guará (EPGU), que diminui de 80 Km/h para 70 Km/h; a Estrada Parque Núcleo Bandeirante (EPNB), que oscila entre 40 Km/h e 80 Km/h com sinalizações próximas aos radares; Estrada Parque Vicente Pires (EPVP), que poderia se tornar uma pista de 80 Km/h, e as saídas da principal para as marginais da EPTG, com redução de 80 Km/h para 60Km/h.

Os problemas que o brasiliense enfrenta no trânsito foram acentuados com a inclusão de novos pardais no fim do ano passado. Sem saber ao certo a função dos robôs instalados sobre as vias da cidade, motoristas foram autuados por dirigir sem o cinto de segurança, fazendo uso de aparelho telefônico e

Definitivamente, o trânsito de Brasília é controlado pelos pardais. E os agentes do Detran e do DER, em vez de educar o motorista, cumprem seus expedientes burocraticamente ou descansando à sombra de árvores ou dentro de luxuosas viaturas equipadas com ar condicionado.

 


Foto Tony Winston Agência Brasília

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