Parabéns servidores públicos, vocês são essenciais

sindmedicoPor ,02/11/2020 às 10:21, Atualizado em 02/11/2020 às 10:21

Eles são parte da solução dos problemas do Brasil

No dia 28 de outubro é comemorado o Dia do Servidor Público. Na data, foram realizadas diversas homenagens, tanto no âmbito federal quanto nos estados. Aqui no DF, teve solenidade no Palácio do Buriti – com direito a bastante aglomeração, diga-se de passagem.  Na contramão dos reiterados tributos, no entanto, no mesmo dia fomos surpreendidos por um Decreto Federal que representava um grave risco ao Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, tanto no DF quanto no restante do País, o que se vê é uma descarada tentativa de desmonte do serviço público.

Digo descarada porque, para mim, como presidente do SindMédico-DF e da Fenam, ano a ano fica mais evidente que o plano não é recuperar. Ao contrário, parece que o projeto é precarizar: ir de encontro ao caos, deixar a população sofrer, acabar com os direitos dos servidores públicos para, então, privatizar/terceirizar serviços essenciais, como a Saúde e a Educação. E tudo isso por quê? Ou melhor, para quem? Eu digo. Novos “modelos de negócios” que servirão de cabides de emprego e facilitarão favorecimentos ilegais e superfaturamentos.

A narrativa é uma só. E, para isso, é preciso que a população enxergue o servidor público como vilão da história. Mas ele não é. O servidor público trabalha, efetivamente, para a população. É ele que está à frente dos serviços oferecidos pelo Estado; é quem toca o barco. Com investimentos chegando até a ponta ou não. É o que ocorre agora, na batalha contra o novo coronavírus. São os servidores do SUS que se dedicam ao atendimento dos pacientes com a doença. Graças à persistência desses servidores, entre médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, o Brasil registra mais de 4,9 milhões casos de pessoas recuperadas da covid-19.

Também não é verdade – mas é frequente ouvir – que há excesso de funcionários públicos no Brasil. O número de servidores representa 12,5% do total de trabalhadores no País, contra 21,2%, da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Com relação à proporção populacional, os servidores públicos brasileiros somam 5,6%, também abaixo da média da OCDE (9,6%). Importante lembrar ainda que grande parte desses servidores está em áreas sociais e metade ganha menos de R$ 2,7 mil por mês.

Hoje, uma das principais justificativas para a Reforma Administrativa – outro presente de grego para a população brasileira – é acabar com os ditos“privilégios” do funcionalismo. Entretanto, altos salários e benefícios abastados não são a regra. Aliás, eles estão onde essa reforma não chega: na elite do funcionalismo. Portanto, falar no congelamento de salários dos servidores e até do corte de parte da renda mensal é, no mínimo, injusto. Assim como falar do fim da estabilidade. É graças a esse instrumento que o funcionário público pode desempenhar suas funções sem pressões políticas ou de grupos econômicos. Ou seja, sem isso, voltam indicados e cabos eleitores.

Os vilões da história do Brasil e únicos responsáveis pela crise econômica pela qual estamos passando são os sucessivos governos eleitos; é a incapacidade de gestão. Aqui, se gasta mal, demasiadamente, e se investe pouco naquilo que é realmente necessário à população. Para o serviço público, digo sempre, a fórmula é básica: planejamento estratégico, cumprimento de metas, avaliação de desempenho, auditorias eficazes e informatização dos processos de gestão.

Para todo problema há uma solução. E para o nosso País, ela não está na perseguição aos servidores públicos. Eles não são o problema. Os servidores, digo sempre, são parte da solução.

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