José Matos
“O casal de noivos cortou o bolo. Vivas soaram. Eles devem se amar – pensei em voz alta. É claro, disse um senhor. Você já viu alguém se casar por outro motivo? Petrus, o interrogou: a que tipo de amor o senhor se refere? Eros, Philos ou Ágape? Repare na senhora ali que não para de arrumar as coisas (…).
(…) Existem muitas faces de Eros, e esta é uma delas: o amor frustrado, que se realiza na infelicidade alheia. Vai beijar os noivos, mas, por dentro, estará murmurando que um não foi feito para o outro. E apontou para outro casal, a mulher, muito maquiada, é o amor social, sem qualquer vestígio de emoção (…).
(…) Não existe ninguém aqui que se salve? Claro que existe: os adolescentes que estão dançando e que só conhecem o Eros bom. Se eles não se deixarem influenciar pela hipocrisia do amor que dominou a geração passada, o mundo será outro.
E apontou para um casal de idosos: a fome e a necessidade os obrigou a trabalhar juntos, e tiraram a força do amor do próprio trabalho. Ali Eros mostra sua face mais bela porque está unida a Philos. O que é Philos? É o amor sobre a forma de amizade. Quando a chama de Eros não consegue mais brilhar, é Philos que mantém os casais juntos.
– E Ágape? Ágape está em Eros e em Philos. Ainda que eu fale a língua dos homens e dos anjos (…) se não tiver amor, nada serei. Todos nós corremos em busca de Eros, e quando Eros quer se transformar em Philos, achamos que o amor é inútil, mas é Philos que nos conduzirá até Ágape (…). Ágape é o amor total (…) Este foi o amor que Jesus sentiu pela humanidade (…) Ágape é muito mais que gostar (…)
Quando Jesus falou que era das crianças o Reino de Deus, se referia a Ágape sob a forma de entusiasmo. As crianças vinham alegres, movidas pelo entusiasmo, a força maior voltada para a vitória final. Deixando-o escapar, deixaremos escapar o verdadeiro sentido de nossas vidas”.
(*) Professor e palestrante