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Política

Os presidenciáveis e a educação

  • Sindicato dos Professores do DF
  • 31/08/2022
  • 15:53

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Lula. Foto: Ricardo Stuckert
Bolsonaro. Foto: Isac Nóbrega/PR

Ciro. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Tebet. Foto: Reprodução/Facebook

Vanessa Galassi

Desde o início da campanha eleitoral, em 16 de agosto, dois importantes eventos foram realizados em rede nacional de televisão com candidatos (as) à presidência da República: as entrevistas realizadas pelo Jornal Nacional (Rede Globo), de 22 a 26 de agosto, e o debate promovido pela TV Bandeirantes, no domingo (28). Em ambos, a educação esteve na pauta e foi alvo de promessas. Confira como os quatro candidatos que lideram o ranking das intenções de voto abordaram o tema da educação pública até agora.

Lula

Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que lidera o ranking com 44% das intenções de voto, segundo a pesquisa Ipec, divulgada na segunda (29), disse que “não existe nenhuma experiência de país que ficou rico sem investir na educação”, e que “a educação foi abandonada no Brasil”.

Durante entrevista ao JN, ele afirmou que “tem orgulho de, na história do Brasil, ser o presidente que mais fez universidades, que mais fez escolas técnicas”, o que é confirmado pelas agências de checagem. Disse que, quando iniciou seu governo, havia 3,5 milhões de estudantes universitários. No final do mandato, o número foi para 8 milhões. O crescimento realmente foi realizado, mas só atingiu a marca dos 8 milhões no último ano de governo da presidenta Dilma Rousseff (PT), em 2015.

No debate da Band, Lula disse que é “lamentável” que o MEC não tenha disponibilizado dados sobre o número exato de crianças com déficit no aprendizado, após o início da pandemia da covid-19. “Existiram dois tipos de estudantes durante a pandemia: aquele que teve acesso a tablete e computador, e continuou estudando; e os mais pobres, que não conseguiram acompanhar, ficaram sem ir pra aula”.

Para mudar o cenário imposto à educação pública, Lula disse que, se eleito, no primeiro momento, convocará reunião com governadores e prefeitos das capitais para fazer um pacto e estabelecer “uma verdadeira guerra contra o atraso educacional”, gerado, segundo ele, pela pandemia e “pelo corte de dinheiro que houve na educação”. Lula afirmou que quintuplicou o orçamento da Educação.

As agencias de checagem mostram que, em 2010, Lula havia triplicado o orçamento da Educação em relação ao último ano da gestão Fernando Henrique Cardoso.

Bolsonaro

Jair Bolsonaro (PL), que aparece com 32% das intenções de voto na pesquisa Ipec, não foi questionado no debate da Band sobre o tema, mas também não fez questão de encaixar a educação pública em suas respostas em assuntos transversais.

Na entrevista no JN, questionado sobre os escândalos no MEC, disse que escolhia seus ministros a partir de “critérios técnicos”. As agências de checagem mostram que a declaração é falsa. “Além de membros da sua gestão terem sido escolhidos por critérios políticos, nem todos eram formados ou tinham experiência na área de atuação da pasta que comandaram”, apresenta a agência de checagem Aos Fatos.

Como exemplo, a agência traz o caso de Eduardo Pazuello (PL-RJ), “que comandou o ministério da Saúde de maio de 2020 a março de 2021, era general do Exército e atuava na área logística”. No governo Bolsonaro, o comando do MEC passou por cinco ministros. O primeiro, Ricardo Vélez Rodríguez, caiu após ser flagrado pedindo que escolas filmassem, sem autorização prévia, professores, alunos e funcionários cantando o hino nacional, e que fosse lida uma carta de sua autoria, finalizada com o slogan de campanha de Bolsonaro.

O segundo ocupante da pasta, Abraham Weintraub, saiu praticamente foragido do Brasil após insultar ministros do STF. O terceiro, Carlos Alberto Decotelli, teve passagem relâmpago, pois inventou título de doutor em seu currículo Lattes. O quarto, Milton Ribeiro, é citado no caso de corrupção que liberava verbas do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) por meio de propinas, juntamente com os pastores Arilton Moura e Gilmar Santos. O pagamento era feito até com barras de ouro. Sobre os recorrentes casos de corrupção no MEC, Bolsonaro disse: “as pessoas se revelam quando chegam”.

Ciro Gomes

Ciro Gomes (PDT) é o terceiro nas pesquisas. Registrou 7% das intenções de voto no Ipec. Ele também fez falas falsas quando o assunto foi educação. Na Band, disse que o “Ceará tem hoje a melhor educação pública do Brasil” e que tem orgulho de fazer parte disso. Entretanto, segundo as agências de checagem, dados do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) de 2019, mostram que o Ceará possui o melhor Ideb apenas entre alunos do nono ano.

Ciro também afirmou que o Ceará tem “79 das 100 melhores escolas públicas do Brasil”. A verdade é que o dado é referente apenas aos anos iniciais do ensino fundamental. Outra inverdade de Ciro foi quanto ao ensino integral: “60 de cada 100 alunos do ensino médio do Ceará já estão em tempo integral”, disse o candidato. De acordo com as agências de checagem, apenas 33,2% dos estudantes de ensino médio do Ceará matriculados na rede pública estudam em tempo integral.

Como proposta para a educação, Ciro diz que é necessário “transformar a educação pública brasileira em uma das dez melhores, em 15 anos”. Ele propõe mudar o padrão pedagógico e reforçar o financiamento para o setor. Não houve pergunta sobre educação pública para Ciro na entrevista ao JN.

Simone Tebet

Candidata do MDB, a senadora Simone Tebet está em quarto na corrida eleitoral, com 3% das intenções no Ipec.  Ex vice-governadora de Mato Grosso do Sul, ela não disse a verdade sobre o Ideb (exame de avaliação do ensino) na entrevista ao JN. Segundo Tebet, “o Ideb de Mato Grosso do Sul para o ensino médio, se não for o primeiro, ou o segundo, é o terceiro”. O Fato ou Fake, da Globo, mostra que Mato Grosso do Sul está na 9ª posição entre os estados brasileiros na avaliação do ensino médio. Se considerada somente a rede estadual, MS aparece na 7ª posição.

Simone Tebet ainda disse que saiu do governo de Mato Grosso do Sul “garantindo os melhores salários de professores do Brasil”. No estado, o salário de professores é o terceiro maior do Brasil. “Faça educação de qualidade para salvar o povo brasileiro”, disse a candidata durante a entrevista no JN. Não houve pergunta sobre educação pública para ela no debate da Band.

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