Os momentos-traíra de Rogério Ceni

bsbcapitalPor , Carlos Alenquer (*)11/11/2020 às 11:32, Atualizado em 11/11/2020 às 11:46

O primeiro foi nos 15 minutos de celebridade do bem ao aceitar ser técnico festejado, e logo humilhado, do Cruzeiro; agora ao ingressar no entra-e-sai dos treinadores brasileiros

Rogério Ceni. Foto: Bruno Haddad

O canal ESPN Brasil gastou de 48 a 52 minutos de um de seus intermináveis bate-bocas (digo, bate-bolas) falando da transferência do técnico Rogério Ceni do Fortaleza para o Flamengo. Corrigindo com o VAR: a ESPN gastou cerca de 52 minutos nessa conversa-mole falando do Ceni, do Flamengo e do São Paulo.

O Flamengo entrou na pauta por motivos óbvios: é o time que disputa o título de maior torcida do Brasil e que, por isso, pode se dar ao luxo de contratar qualquer técnico do planeta. E mais: pode, ao mesmo tempo em que disputa o bicampeonato brasileiro, demitir e pagar ao catalão Domènec Torrent, que durou apenas três meses no cargo, a polpuda quantia de dois milhões de euros como uma espécie de indenização.

Note-se: o clube da Gávea é o mesmo que não tem recursos para pagar 10 mil reais às famílias dos adolescentes que morreram no incêndio dos containers-alojamentos no chamado Ninho do Urubu.

Já o São Paulo participou do emocionante debate porque Ceni passou toda a sua carreira de goleiro-goleador na tradicional equipe paulistana. Em razão dessa performance, mereceu a atenção dos cinco comentaristas boquiabertos com a reação dos torcedores são-paulinos, que não se conformam com a transferência do ídolo para o rubro-negro carioca.

Realçaram, os debatedores, que as torcidas organizadas queriam que ele fosse para o São Paulo. Esqueceram-se de lembrar a festejada contratação e humilhante demissão do hoje louvado técnico.

E assim, finalmente, chegamos ao Tricolor de Aço, citado entre 48 e 52 segundos no parlatório virtual. Bom. Essa ausência no debate é mais difícil de explicar. Afinal, Rogério Ceni, o Lampião que destroçou jagunços e forças-volantes enviadas sob as ordens de juízes ladrões e bandeirinhas míopes, teve seus momentos heroicos.

Foi campeão de tudo o quanto apareceu pela frente, ao comemorar os 100 anos do clube que o projetou como técnico competente. Mas, temos que concordar: Ceni teve seus momentos-traíra. O primeiro deles, ao viver seus 15 minutos de celebridade do bem no noticiário esportivo nacional, ao aceitar ser técnico festejado e logo humilhado do Cruzeiro, hoje conhecido como Família Scolari Esporte Clube.

O segundo, ao entrar definitivamente no entra-e-sai dos técnicos brasileiros quando havia declarado em outra algaravia, da mesma ESPN, que só se sentia motivado a sair do Leão do Pici para treinar um time estrangeiro.

Pra começar, já deveria ter pedido ao Flamengo garantia de multa rescisória de pelo menos quatro milhões de euros.

(*) Jornalista e torcedor do Leão do Pici

Deixe um comentário

Rolar para cima