Júlio Pontes
Na segunda-feira (19), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) iniciou um novo ato político intitulado “caminhada da liberdade”. Ele saiu de Paracatu (MG) com destino a Brasília, em um percurso de 240 quilômetros, com previsão de chegada no domingo (25).
A andança terá como ato final uma manifestação nos arredores do presídio da Papudinha na qual apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pressionarão o Congresso Nacional para derrubar o veto de Lula à Lei da Dosimetria.
A legislação, integralmente vetada pelo presidente, propunha reduzir as penas para condenados por crimes contra o Estado Democrático de Direito, como os atos de 8 de janeiro, e facilitar a progressão de regime, o que beneficiaria Bolsonaro e centenas de golpistas já condenados ou que ainda serão julgados.
À medida que Nikolas caminha, ganha novas adesões de políticos que querem surfar na sua onda. Participam da mobilização deputados federais como Gustavo Gayer (PL-GO), André Fernandes (PL-CE) e Deputado Zucco (PL-RS), além dos senadores Márcio Bittar (União-AC) e Izalci (PL-DF). O filho Zero Três, Carlos Bolsonaro, confirmou que participará do ato no domingo.
O gráfico abaixo mostra que todos os nomes citados acima tiveram ganho expressivo de seguidores a partir do dia 19, quando teve início a caminhada.

Gustavo Gayer, em azul claro, ganhou quase 90 mil seguidores em um dia. André Fernandes, em marrom, havia perdido quase 8 mil seguidores de 24 de dezembro de 2025 a 17 de janeiro de 2026 e, após se juntar a Nikolas, viu quase 20 mil novos internautas chegarem ao seu Instagram. Fenômeno semelhante ocorre com os demais participantes da caminhada.
O resultado prático dos mais de 200 Km a pé durante sete dias será medido no domingo (25) – escrevo este texto na quarta-feira (21). Caso a manifestação pró-Bolsonaro seja esvaziada, como tem ocorrido nas últimas iniciativas semelhantes propostas por seus apoiadores após a condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses de cadeia, Nikolas será taxado como um “político de internet”.
Mas a tendência é que ele consiga atrair um bom número de “bolsonaristas raiz” na capital da República. E assim, se provará como um “político de verdade”.
E para os não-bolsonaristas fica a lição: as redes sociais vêm para ajudar a mobilizar o mundo real, e não para substituir o corpo a corpo com o eleitor.
Mesmo na era da inteligência artificial, a tradicional sola de sapato nunca esteve tão na moda. Basta olhar para os calos nos pés de Nikolas Ferreira!