Opinião: Partidos da terra, crise da água

bsbcapitalPor ,09/06/2017 às 17:54, Atualizado em 18/09/2017 às 21:19

Artigo de opinião publicado na edição impressa nº 315

Aldem Bourscheit (*) 

As crises política e econômica anteciparam o jogo eleitoral, e partidos já ocupam espaços na mídia para vender plataformas e promessas. No Distrito Federal, certas siglas abusam da demagogia e defendem abertamente a ocupação ilegal ou desregrada do território, uma das causas da pindaíba regional quanto ao abastecimento de água.

Um parlamentar do DF envolvido no lobby da tomada de terras defendeu a aprovação pelo Congresso Nacional do Pacote de Aceleração da Grilagem (MP 759/2016), que pode dar fim à Reforma Agrária, anistiar desmatadores e consolidar tomadas ilegais de terras, no campo e nas cidades.

O deputado mira o governo do DF, onde a posse da terra parece tão disputada quanto na Amazônia. No DF, já foram eliminados sete em cada dez hectares de Cerrado nativo, quase tudo para dar espaço a lavouras, invasões e a mais de 600 condomínios horizontais.

Números oficiais revelam que cem milhões de hectares foram grilados em todo o Brasil – 12% da área do país. No livro Partido da Terra, o jornalista Alceu Castilho traz um mapeamento dos políticos donos de terra e descobriu que, em todos os cantos do Brasil, há poderosos latifundiários, de diversas cores partidárias, de mãos dadas para defender políticas em benefício próprio.

Relatório das Nações Unidas defende que aproveitar águas já usadas pela população, agricultura e indústria pode ser uma fonte segura e inesgotável para esses setores, tanto da própria água quanto de energia (biogás) e de nutrientes para lavouras. Todavia, pouco se investe nesta agenda.

Por enquanto, diante da crise de abastecimento, as soluções regionais têm insistido em obras de alto custo financeiro para ampliar a captação de água, seja do Lago Paranoá ou da Barragem de Corumbá.

Entretanto, à questão da água estão amarradas outras agendas. Retomar a gestão do território, recompor a vegetação nativa e ampliar a rede de áreas protegidas não só revitalizará nascentes e cursos d´água, mas aumentará a qualidade de vida da população e nos dará mais força para enfrentar as inevitáveis mudanças do clima.

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