Na última semana, políticos de todos os espectros foram convidados pelos algoritmos a tratar de um assunto inusitado: detergente. Isso porque, no dia 7 de maio, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu lotes de produtos da marca Ypê. A determinação era recolher lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes fabricados pela empresa na unidade de Amparo, em São Paulo e terminados em “1”.
Saiba Mais: O deputado federal Sargento Fahur (PL-PR) divulgou vídeo nesta terça (12) lavando o bigode com detergente Ypê. A publicação nas redes sociais faz chacota da suspensão de lotes da marca determinada pela Anvisa por possíveis falhas sanitárias.
Dias depois a Anvisa reviu a decisão e liberou a produção. No entanto, a própria fábrica decidiu manter paralisada parte da produção de produtos líquidos. Ainda assim, em poucas horas, o debate sanitário passou a ser político. Com a polarização, o “debate” virou Fla-Flu.
Reeditando o comportamento negacionista adotado durante a pandemia da covid-19, bolsonaristas acusaram o governo federal de “perseguição” à marca, já que a família controladora da Química Amparo (dona da Ypê), doou recursos para a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2022. Ao todo, familiares do grupo empresarial doaram, juntos, R$ 1 milhão ao então candidato à reeleição.
A reação da direita foi publicar memes em defesa da Ypê. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro puxou a fila com uma foto do produto em seus stories do Instagram. Até aqui tudo bem. O auge do fanatismo foi quando um homem bebeu o detergente. E o absurdo dos absurdos: ele não foi o único a cometer tal insanidade. Depois dele, vários outros repetiram o gesto, com direito a vídeos publicados nas redes sociais.
Aproveito o episódio para relembrar outro caso envolvendo uma grande marca e o mundo político: Havaianas. A polêmica criada após a propaganda com a atriz Fernanda Torres fez com que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) criasse uma marca de chinelos de dedo. O objetivo é que bolsonaristas troquem “as legítimas” pela “Pé Direito”.
E não dá para esquecer que, em fevereiro de 2025, o então governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) comeu uma banana com casca para criticar os preços dos alimentos. Recentemente, o prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos), foi denunciado por supostamente cavar um buraco somente para gravar um vídeo em sua rede. Ele tem até o final de maio para explicar a obra.
Por fim, digo: tomar detergente ou comer banana com casca ultrapassa todos os limites do aceitável. Não vale tudo pelo engajamento. Assim como os municípios, os políticos precisam de limites (para o seu próprio bem)!
Veja o vídeo: