O paradoxo do radicalismo

claudiosampaioPor ,25/11/2020 às 15:42, Atualizado em 25/11/2020 às 15:42

O “nós contra eles” constitui uma estratégia de mais fácil arregimentação de militância. Mas é arriscado

Quando a tática política escolhida é a de “aniquilação do inimigo”, em vez do (árduo, porém arguto) “reconhecimento e debate franco com o adversário”, corre-se o risco de criar o efeito ricochete.

O “nós contra eles”, utilizado aqui e acolá na história do Brasil, constitui uma estratégia de (mais) fácil arregimentação de militância, sobretudo em um país de média intelectual tacanha, parecendo eficiente a curto e (até) a médio prazo.

Todavia, numa análise histórica, tal ímpeto estratégico é arriscado para quem o adota e nefasto para o cenário social dentro de uma dimensão maior, pois contrário ao princípio da fraternidade e gerador de cisões frequentemente irremediáveis.

Reflita friamente e me diga: quantas vezes isso deu certo de verdade. Ressentimentos geram ressentimentos e o extremismo de um lado traz reações jocosas do outro. Reações pouco visíveis de imediato, mas que são compulsórias e igualmente destrutivas dentro da lógica básica do “plantio” e da “colheita”.

As ideologias e posições políticas, querendo ou não, fazem parte da dinâmica dos países realmente democráticos, desde que o mundo adentrou nos Séculos de Luz. Como administrá-las, em relação às respectivas oposições ou contrapontos, é uma importantíssima escolha das lideranças vigentes, que, se forem inteligentes, medirão como e o quanto devem “puxar a corda” ou “a brasa para sua sardinha”.

Por isso, os movimentos moderados e pragmáticos têm obtido êxito sustentável em nações verdadeiramente prósperas, como algumas da Europa Ocidental e Setentrional – o Canadá e a Austrália, por exemplo –, onde a solução de problemas tem preponderado sobre a retórica poĺítica rancorosa e pouquíssimo fecunda.

(*) Advogado especializado em Direito do Trabalho, escritor e palestrante

Deixe um comentário

Rolar para cima