Jorge Ferrera Diaz (*)
Olá brasileiros! Aqui em Cuba continuamos a enfrentar graves apagões devido à falta de combustível. Como vocês sabem, desde o final de dezembro passado, nenhum navio chegou com combustível para geração de eletricidade, produção de gasolina, gás ou óleo combustível.
Tudo isso se deve ao embargo de petróleo decretado por Trump no final de janeiro, com a ameaça de impor altas tarifas aos países que ousarem violar sua ordem. Somente nos primeiros dias de abril um navio russo chegou a Cuba com uma doação de 100 mil toneladas de petróleo, em flagrante desrespeito à ordem emitida por Trump.
A partir de então, e por cerca de 15 dias, nossa ilha teve um alívio, com serviço de eletricidade sem os inconvenientes dos apagões. Porém, assim que o combustível necessário se esgotou, os apagões de 10, 15 e 20 horas ou mais por dia voltaram a ocorrer, com todos os inconvenientes e dificuldades que isso acarreta.
Cuba precisa do fornecimento de 7 ou 8 navios por mês para a geração de eletricidade. A situação atual no país é complexa, afetando a produção de bens, serviços, o funcionamento de hospitais e clínicas, escolas, bancos, empresas, o abastecimento de água potável etc. Também dificulta o preparo de alimentos.
Tudo isso fomenta inquietação e tensão entre a população, situação da qual aqueles que se opõem à Revolução se aproveitam para provocar, individualmente, protestos e perturbações da ordem pública, enquanto tentam promover a narrativa de um “Estado falido” que o governo Trump invoca para distorcer o fato de que a verdadeira causa das graves dificuldades é o bloqueio.
Uma nova ordem emitida por Trump em 1º de maio anunciou sanções contra empresas e instituições financeiras que investem em Cuba. Como resultado, o contrato de longa data com a empresa canadense Sherry, no setor de níquel e gás, foi imediatamente rescindido. Uma empresa de transporte marítimo também suspendeu suas operações com Cuba pelos mesmos motivos.
Enquanto isso, Trump, seu Secretário de Estado, políticos americanos e alguns cubanos residentes nos EUA ameaçam com uma intervenção armada direta devido à alegada “crise humanitária” em Cuba. Exigem uma mudança no sistema político cubano como condição para não intervir no país.
Mas enfrentamos ameaças há mais de 60 anos, e o povo está determinado a defender a Pátria e o Socialismo, ciente de que enfrentaremos uma potência militar.
Há alguns dias, o chefe da CIA esteve em Cuba, e as discussões se concentraram em questões migratórias, esclarecendo que não existem bases militares russas ou chinesas em Cuba, e demonstrando que nosso país não representa nenhuma ameaça incomum ou extraordinária à segurança dos EUA.
Cuba também expressou sua disposição de dialogar em condições de igualdade e respeito mútuo. No entanto, permanece irredutível em sua postura política.
Por fim, cabe destacar que mais de 5 milhões de cubanos participaram das comemorações do Dia do Trabalho, demonstrando seu apoio à Revolução. Mais de 500 mil pessoas compareceram ao evento em Havana, e naquele dia, dois livros contendo 6,2 milhões de assinaturas em apoio à soberania e ao socialismo foram entregues ao Presidente da República, demonstrando o compromisso com o lema “A Pátria Será Defendida”.
(*) Diplomata aposentado. Ex-membro do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba. Atuou como conselheiro político no Brasil, Nicarágua e Venezuela