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Cidades

O escândalo de corrupção que afetou o desfile da Beija-Flor

No cinquentenário de Brasília, governador do DF estava preso e a Beija-Flor pagou o pato na Sapucaí

  • Redação
  • 11/02/2026
  • 18:30

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Em 2010, quando Brasília completava 50 anos de idade, a Beija-flor de Nilópolis resolveu homenagear a capital do país. Então vice-campeã, a escola imaginava chegar ao título do carnaval com o samba-enredo Brasília Capital da Esperança. A empreitada contou com um investimento, a título de patrocínio, de R$ 3 milhões do Governo do Distrito Federal.

Em junho do ano anterior, uma comitiva de Nilópolis chegou a Brasília para uma visita de quatro dias. O objetivo era conhecer a cidade e seus pontos turísticos e, assim, ter maior propriedade na composição que a Soberana levaria para a avenida. 

Em outubro daquele 2009, quando o samba foi escolhido pela comunidade, o Jornal Extra noticiou que o então vice-governador do DF, Paulo Octávio, e o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, estavam na quadra da escola para acompanhar a votação popular. 

A expectativa pelo título aumentou quando o puxador oficial, Neguinho da Beija-Flor, anunciou que se casaria na Marquês de Sapucaí. Àquela altura, ele realizava sessões de quimioterapia para tratar de um agressivo câncer no intestino. 

“Para que eu pudesse estar na avenida para o casamento, precisei de autorização dos médicos”, revelou Neguinho anos depois.

PANDORA

Apesar da comoção, em fevereiro de 2010, as atenções do público brasiliense não estavam voltadas para o tratamento do cantor, nem para as alegorias da Beija Flor. O foco era a Operação Caixa de Pandora, deflagrada três meses antes, na capital do País, e que afetaria o desempenho da escola.

Em 11 de fevereiro, cinco dias antes do desfile, o então governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, tinha sido preso preventivamente e acompanharia o carnaval de uma cela da sede da Polícia Federal. Ele tornou-se o primeiro governador do Brasil a ser encarcerado no exercício do mandato. 

Com a situação estampada nos jornais, torcedores espalharam faixas na avenida para tentar amenizar os impactos negativos em seu enredo. “Os poucos brasilienses que acompanharam na avenida disseram que a situação era constrangedora, inclusive o medo de vaias”, publicou o site do Apolinário Rebelo, em 16 de fevereiro.

O intérprete Neguinho confidenciou a jornais da época que o samba não tinha “força para explodir” depois dos escândalos. Laíla, um dos maiores carnavalescos da história do carnaval carioca, admitiu que não colocaria o enredo sobre Brasília na Sapucaí caso as denúncias de corrupção tivessem estourado antes da escolha do tema.

Ao final da apuração, a Beija-Flor ficou em terceiro lugar. Poucos dias depois, Arruda teve seu mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do DF, e saiu da cadeia somente em 12 de abril de 2010.

Quinze anos depois, em 2025, a Beija-Flor conquistou seu 15º título, ao homenagear Laíla, aquele mesmo que criticou o fracassado enredo de 2010, que morreu em 2021. Este ano, a Beija-Flor vai para o Sambódromo defender o título, enquanto Arruda tenta voltar à vida pública, embora ainda responda por várias das denúncias que o fizeram assistir o carnaval de 2010 da prisão.

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