Caroline Romeiro (*)
O uso de medicamentos análogos de GLP-1, como a semaglutida, ganhou destaque nos últimos anos pelos resultados expressivos na perda de peso. No entanto, um estudo recente publicado no British Medical Journal (BMJ) acendeu um alerta importante: quando esses medicamentos são interrompidos, especialmente sem mudanças consistentes no estilo de vida, o reganho de peso é frequente e rápido.
A pesquisa analisou milhares de pacientes e mostrou que grande parte do peso perdido tende a ser recuperada ao longo dos meses após a suspensão do tratamento. Os resultados são claros ao apontar que o medicamento, isoladamente, não sustenta o emagrecimento no longo prazo.
Em média, o estudo observou um reganho progressivo de peso após a interrupção dos fármacos, com possibilidade de retorno ao peso inicial em um intervalo relativamente curto quando não há suporte comportamental e alimentar. Isso reforça uma mensagem que a ciência da Nutrição já conhece bem: o corpo responde a estímulos biológicos, mas também — e muito — aos hábitos construídos no dia a dia.
É nesse ponto que o acompanhamento nutricional se torna central. O nutricionista não atua apenas na prescrição de um plano alimentar, mas na construção de estratégias possíveis, personalizadas e sustentáveis, que consideram cultura alimentar, rotina, acesso aos alimentos e relação com a comida.
Mudanças graduais, baseadas em alimentos in natura e minimamente processados, como orienta o Guia Alimentar para a População Brasileira, são fundamentais para que a perda de peso seja mantida, com ou sem o uso de medicamentos.
O estudo do BMJ não desqualifica o papel dos análogos de GLP-1, mas reposiciona seu uso: eles podem ser uma ferramenta importante, desde que inseridos em um cuidado integral e contínuo.
Para resultados duradouros, não há atalhos. Alimentação adequada, acompanhamento profissional e políticas que promovam ambientes alimentares saudáveis seguem sendo o caminho mais seguro para a saúde e a qualidade de vida da população.
(*) Mestre em Nutrição Humana, coordenadora técnica do Conselho Federal de Nutrição e docente do Curso de Nutrição da Universidade Católica de Brasília