O craque “Imortal” que não pendurou as chuteiras

mmPor ,08/05/2016 às 9:28, Atualizado em 09/07/2016 às 3:42

A praxe da maioria dos intelectuais que conseguem ocupar uma das 40 cadeiras da Academia Brasileira de Letras, fundada em 20 de julho de 1897 e que teve como seu primeiro presidente eleito o escritor Machado de Assis, tem sido sentar no trono dos guerreiros para descansar, teoricamente, até a Eternidade, já que são considerados Imortais de …

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A praxe da maioria dos intelectuais que conseguem ocupar uma das 40 cadeiras da Academia Brasileira de Letras, fundada em 20 de julho de 1897 e que teve como seu primeiro presidente eleito o escritor Machado de Assis, tem sido sentar no trono dos guerreiros para descansar, teoricamente, até a Eternidade, já que são considerados Imortais de direito, porém não de fato. Aos muitos que optam por esse celestial repouso, tudo bem; sem broncas de nosotros, pessoas comuns de carne e osso, absolutamente mortais. Mas como todo preceito tem variantes, o acadêmico Arnaldo Niskier, professor, escritor e jornalista, é uma exceção à regra.

Desde que foi eleito, em 22 de março de 1984, para ocupar a cadeira 18 da ABL, não parou de trabalhar, escrevendo dezenas de livros e artigos em jornais, além de proferir palestras sobre temas de sua especialidade: Educação, além do Jornalismo, que continua exercendo como editor do Jornal de Letras, órgão da Academia. No transcurso de minha longa trajetória profissional, entre tantos outros excelentes chefes de reportagem que conheci, Arnaldo foi o melhor de todos, o que constatei ao vivo quando tive a honra de trabalhar sob as suas ordens na revista Manchete, no Rio de Janeiro, na década de 1960, Redação na qual brilhava uma constelação de estrelas, entre as quais Ronaldo Bôscoli e Fausto Wolff.

Recentemente, reencontrei Niskier aqui em Brasília, ocasião em que foi empossado na Academia de Letras de Brasília e, de lambuja, pronunciou uma oportuna palestra sobre a carência do ensino no Brasil. Apesar de seus 80 anos de idade, fiquei surpreso ao vê-lo com a mesma aparência do jovem atleta da década de 1950, quando, pouco antes de se decidir pela profissão de jornalista, atuava como meia-direita do tradicional América Futebol Clube, que representava o então bairro-elite carioca da Tijuca, na época em que eu sonhava jogar no ataque do meu Botafogo, ao lado do Garrincha. Muito embora fosse confundido nas ruas com o Zagalo, quis o destino que o tijucano não alcançasse a mesma glória do selecionado nacional.

Mas, em compensação, Arnaldo Niskier conquistou o ambicionado cetro da ABL, levantando taças meritórias nos Campeonatos da Cultura, inclusive com a prerrogativa de figurar como o Imortal que ainda não pendurou as chuteiras.

 


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