Júlio Pontes e Tácido Rodrigues (*)
Na próxima segunda-feira (12), começa o Big Brother Brasil 26, com 20 concorrentes, apresentado por Tadeu Schmidt, que passou boa parte da juventude em Brasília, embora tenha nascido em Natal (RN). Antes, haverá a escolha de dez “pipocas” (participantes anônimos) das “casas de vidro” que serão montadas nas cinco regiões do país — a do Centro-Oeste ficará no shopping Conjunto Nacional, na Asa Norte, até domingo (11).
O Brasília Capital aproveita a atração global para fazer uma comparação do BBB com a disputa pelo Palácio do Buriti nas eleições de outubro próximo. As regras são diferentes, mas a lógica é a mesma. Na vida real, bem como no reality da TV, não tem anjo salvando, nem líder imune para sempre.
Outro paralelo que pode ser traçado é que quem decide é o público, por meio do voto. No jogo político, para fazer a melhor escolha, o eleitor deve observar, comparar e decidir quem merece ficar na casa. Ou seja, quem deve ocupar o Buriti a partir de 2027.
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Neste cenário comparativo, imagine que o DF virou a casa de uma edição especial do BBB. Por aqui, ainda não tem paredão, mas o jogo já começou. O Big Fone toca. Quem atende primeiro é Celina Leão (PP), 48. Formada em Administração, a vice-governadora é nome preferido do atual líder da casa, o governador Ibaneis Rocha (MDB).
Celina Leão, atual vice-governadora do DF – Foto: Renato Alves/Agência Brasília
Com passagens pela Câmara Legislativa — onde foi líder (presidente) — e pela Câmara Federal (como deputada), ela aposta suas fichas na aprovação da gestão da qual foi a principal coadjuvante. Mas sabe que tem capacidade de se destacar nas áreas de esporte e de defesa da mulher. Ao lado dela, já tem MDB, Republicanos, Democracia Cristã e o Democrata 35 fazendo alianças para seguir no game. O PL está na mira.
Na sequência, entra Ricardo Cappelli (PSB), 53, vindo mais da “pipoca”. Jornalista, o hoje presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) ganhou protagonismo quando atuou como interventor na Segurança Pública do DF, após a tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023.
Ricardo Cappelli, presidente da ABDI – Foto: Helio Montferre/ABDI
O discurso de Cappelli no confessionário gira em torno da defesa da democracia e de um Estado eficiente, que leve os serviços públicos à ponta, para quem mais necessita, especialmente na área da saúde. No sofá, quem segura o controle remoto do apoio a ele é o PDT, comandado pela senadora Leila do Vôlei. Pelo menos Cappelli acredita nisso.
Logo depois, aparece Leandro Grass (PT), 40 anos. O historiador e atual presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) já foi testado como deputado distrital, e na última edição do BBB do Buriti, em 2022, ficou a 5 mil votos de ir para o segundo turno contra Ibaneis Rocha.
Leandro Grass, presidente do Iphan – Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
No jogo de Grass como candidato ao GDF, a liderança passa por cultura e educação. A aliança indissolúvel para tentar ganhar o prêmio final, ou seja, ser governador, é com o PV e com o PCdoB, com os quais o PT está federado, naquele esquema raiz: menos aliança, mais identidade. Mas ele também aposta que conseguirá atrair o PDT e até o PSB para o seu lado.
Outra participante que não quer entrar só para fazer VT é Paula Belmonte (PSDB), 52 anos. Atualmente deputada distrital, a empresária, que também já cumpriu um mandato na Câmara Federal, cruza a porta como Procuradora Especial da Mulher. O jogo dela é pautado em família, mulheres, crianças e adolescentes, numa estratégia sem puxadinho, com apoio, até agora, da Federação PRD-Solidariedade e dos companheiros do ninho tucano. Há conversas avançadas também com o Novo.
Paula Belmonte, deputada distrital – Foto: CLDF
Fechando o elenco, o Big Brother do Buriti volta a receber um participante eliminado pela polícia em 2010, quando acabou preso em meio ao escândalo da Caixa de Pandora. Engenheiro de formação, o ex-governador José Roberto Arruda (PSD), 71 anos, é jogador experiente, daqueles que já conhecem os atalhos para chegar à casa, embora não tenha tido condições de permanecer nela até o final da edição.
José Roberto Arruda, ex-governador – Foto: Arquivo/Agência Brasil
Nesta disputa, ele entra, dezesseis anos após ser cassado por corrupção, com o aviso de castigo do monstro: condenações na Justiça ainda podem tirá-lo da disputa antes do início do reality, no segundo semestre do ano.
Por enquanto, seu único aliado confirmado, embora rachado, é o próprio PSD, presidido no DF pelo empresário Paulo Octávio, seu ex-vice na gestão interrompida pela Caixa de Pandora, cujo filho, André Kubitschek, é secretário da Juventude de Ibaneis, que espera tê-lo no palanque de Celina.
Assim, a casa do BBB do Buriti 26 está formada. A menos que surja algum participante de última hora, serão estes nomes que estarão nas urnas de outubro para que o brasiliense escolha quem comandará os destinos da capital da República de janeiro de 2027 a dezembro de 2030. Mais do que nunca, o público sabe o poder do veto e do voto, até porque hashtag e textão não decidem eleição.
(*) Colaborou Orlando Pontes