Caroline Romeiro (*)
Os esportes eletrônicos – e-sports – são competições organizadas de videogames que reúnem milhões de participantes e espectadores no mundo inteiro. No Brasil, o Ministério do Esporte tem uma secretaria voltada aos e-sports, demonstrando a atenção crescente às necessidades dessa prática, que vai além do lazer e se aproxima de uma atividade profissional para muitos jovens e adultos.
Nesse contexto, surgem demandas que ultrapassam controle de horários de treino ou estratégias no jogo. Trata-se da saúde integral dos atletas e da busca por performance otimizada em ambientes que exigem foco, rapidez de resposta e resistência mental prolongada.
Estudos científicos demonstram que jogadores de e-sports tendem a apresentar longos períodos de comportamento sedentário e padrões alimentares que se assemelham à população geral, com ingestão insuficiente de frutas, legumes e demais componentes de uma dieta equilibrada, além do consumo frequente de bebidas energéticas e alimentos ultraprocessados — fatores que podem aumentar o risco de sobrepeso, doenças metabólicas e fadiga cognitiva.
Embora as evidências sobre nutrição específica para gamers ainda sejam incipientes, pesquisadores ressaltam a importância de um padrão alimentar saudável para sustentar desempenho cognitivo, atenção sustentada, tempo de reação e estabilidade emocional durante treinos e competições intensas.
A nutrição adequada pode atuar em três frentes fundamentais para esse público: promoção de saúde, prevenção de doenças e potencialização da performance. Seguir as diretrizes de uma alimentação equilibrada, como as propostas pelo Guia Alimentar para a População Brasileira — com base em alimentos in natura e minimamente processados e com ingestão adequada de macro e micronutrientes — oferece substâncias essenciais para funções neurológicas e metabólicas críticas ao desempenho cognitivo.
A inclusão de carboidratos de qualidade para energia sustentada, proteínas para manutenção muscular mesmo em contextos de baixo gasto físico, hidratação adequada e controle das escolhas alimentares durante longas sessões de jogo são aspectos que merecem atenção.
Além disso, alguns estudos iniciais sugerem que, em situações específicas, certos suplementos nutricionais (como a cafeína em doses controladas) podem melhorar a atenção e reduzir a sensação de fadiga — embora seja preciso cautela e avaliação profissional para seu uso.
Por fim, uma abordagem nutricional integrada para jogadores de e-sports deve considerar também aspectos comportamentais e de estilo de vida. Combinar alimentação equilibrada com pausas regulares, atividades físicas leves entre sessões de treino e higiene do sono contribui não só para melhor performance em frente às telas, mas também para a saúde geral ao longo da vida.
A nutrição, portanto, deixa de ser uma preocupação apenas estética ou de peso corporal e torna-se uma aliada estratégica para que gamers – dos aspirantes aos profissionais – construam rotinas que favoreçam tanto seu bem-estar quanto o desempenho competitivo.
(*) Mestre em Nutrição Humana, coordenadora técnica do Conselho Federal de Nutrição (CFN) e docente da Universidade Católica de Brasília (UCB)