A nova prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, na quarta (4), aprofundou a crise do escândalo do Banco Master e expôs o avanço das investigações da Polícia Federal. O empresário foi detido em São Paulo na terceira fase da Operação Compliance Zero, por ordem do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
A ofensiva cumpriu quatro mandados de prisão e 15 de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais. A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens ligados ao grupo, que passa ser investigado como organização criminosa suspeita de cometer ameaças, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de sistemas informáticos.
As apurações indicam que o grupo buscava obter dados sigilosos e monitorar pessoas consideradas adversárias. Além de Vorcaro, foram alvos o empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, e o operador Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”.
Ex-integrantes da área de supervisão do Banco Central também entraram no radar por suspeita de prestar consultoria informal aos acusados enquanto ainda ocupavam cargos públicos.
INTIMIDAÇÃO – A decisão do STF cita mensagens que sugerem tentativa de intimidação contra o jornalista Lauro Jardim, d’O Globo. Em uma das conversas, Vorcaro teria defendido “dar um pau” e “quebrar todos os dentes” do profissional para silenciar reportagens, o que pesou para a decretação da prisão preventiva.
O pano de fundo do caso é o colapso do Master. Em 2025, o BC decretou a liquidação extrajudicial da instituição após identificar deterioração financeira, crise de liquidez e violações graves de regras do sistema bancário. Investigações apontam que o Master teria emitido títulos de crédito sem lastro para sustentar produtos de alto rendimento, esquema que pode ter causado rombo bilionário.
A defesa de Vorcaro afirma que ele sempre colaborou com as autoridades e nega irregularidades. Os advogados de Zettel disseram que ele está à disposição da Justiça. O processo segue em fase de coleta de provas, e a PF não descarta novas medidas.
Por ser monocrática, a decisão de André Mendonça será debatida pela Segunda Turma do STF, provavelmente até a próxima sexta-feira (13). Além dele, integram o colegiado os ministros Gilmar Mendes, Luiz Lux, Kassio Nunes e Dias Toffolli, primeiro relator do caso e que pediu afastamento após ficar provado que empresas da família dele faziam negócios com o grupo econômico liderado por Vorcaro.