Na cadeia, lobista era solidário a presos e mantinha rotina de exercícios

BSB Capital 11/09/2015 às 8:00, Atualizado em 11/09/2015 às 8:00

O lobista Fernando Soares, o Baiano, que fechou acordo de delação premiada na quarta (9), ficará preso na sede da Polícia Federal em Curitiba por, pelo menos, mais dois meses, segundo pessoas próximas à sua defesa. Dos dez meses em que está preso, Baiano passou quase seis deles no CMP (Complexo Médico Penal), em Pinhais …

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O lobista Fernando Soares, o Baiano, que fechou acordo de delação premiada na quarta (9), ficará preso na sede da Polícia Federal em Curitiba por, pelo menos, mais dois meses, segundo pessoas próximas à sua defesa.

Dos dez meses em que está preso, Baiano passou quase seis deles no CMP (Complexo Médico Penal), em Pinhais (PR).

Após ser transferido novamente para a Superintendência na PF, ele ocupou a cela em que estava o ex-ministro José Dirceu, dividindo espaço com o publicitário Ricardo Hoffmann.

Na mesma ala estão delatores como o doleiro Alberto Youssef e envolvidos na Operação Lava Jato que querem trilhar o mesmo caminho, como o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró e o ex-deputado Pedro Corrêa.

No início de seu período na prisão, o lobista mostrava-se firme no propósito de não fazer uma delação, mantinha rotina diária de exercícios físicos e esforçava-se para agradar os companheiros.

“Sempre que chegavam presos de uma nova fase da operação era ele quem fazia as honras da casa e explicava como o presídio funcionava”, conta um agente da PF.

Uma situação que ilustra o comportamento prestativo de Baiano aconteceu dois meses após ele chegar ao CMP. O sinal da televisão de sua cela não estava bom, e ele conseguiu melhorá-lo com uma espécie de adaptador.

No dia seguinte, não teve dúvidas. Em encontro com o correspondente de seus advogados, pediu que ele comprasse 50 peças iguais para os companheiros.

Essa não foi a primeira vez em que Baiano distribuiu agrados. Um advogado que defendeu o lobista contou que logo que ele chegou ao presídio pediu a compra de 50 bíblias para distribuição aos presos. O operador não era religioso, segundo amigos, mas frequentou os cultos evangélicos do presídio, o que teria estimulado a iniciativa.

Ele também chamava a atenção dos policiais e companheiros por ser um dos mais organizados do grupo. Sempre que alguém se sentava na sua cama, Baiano esperava a pessoa se levantar para virar o lençol. Não raro, era alvo de brincadeiras dos outros presos, que o apontavam como portador de TOC (Transtorno obsessivo compulsivo) devido à mania de limpeza.

Baiano também tinha fixação pelo que comia. Evitava gorduras e sempre pedia às visitas barras de proteínas e suplementos alimentares que usava quando estava em liberdade.

DESISTÊNCIA

No entanto, a postura altiva e o cuidado com a saúde deixaram de fazer parte da rotina do lobista a partir do momento que ele percebeu que suas chances de deixar a prisão eram remotas.

Nos últimos meses, segundo pessoas que têm contato com Baiano, ele deixou de fazer exercícios físicos, emagreceu mais de dez quilos e passou a falar da família com frequência.

Um dos principais assuntos é o filho mais novo, que passou a falar a palavra “papai” no ano em que ele passou preso, segundo relatou uma pessoa ligada ao lobista.

Nos meses em que está preso, a visita mais frequente e quase semanal que Baiano recebe é a de seu irmão Gustavo Soares, que esta à frente de sua defesa com os advogados. A esposa e a mãe chegaram a vê-lo.


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