Na sala principal do icônico Concertgebouw, uma cena curiosa se desenrola: filas de estudantes se inclinam sobre computadores portáteis e cadernos, enquanto o brilho das telas ilumina as luxuosas cadeiras vermelhas. Acima deles, a violinista Hyunjin Cho e a violoncelista Efstratia Chaloulakou tocam suas peças, mas, curiosamente, os alunos não demonstram desinteresse; na verdade, o foco deles está em estudar. A música, aqui, não é uma distração, mas sim uma aliada. Isso faz parte de uma iniciativa crescente da Entree, a associação juvenil do Concertgebouw, que busca unir o estudo à música clássica ao vivo. O intuito é ajudar os estudantes a se concentrarem, aliviar o estresse e, ao mesmo tempo, criar uma conexão entre o público jovem e este espaço que carrega séculos de história.
“É uma das muitas maneiras de acolher os jovens no Concertgebouw. Estudar ao som de boa música em um ambiente tão magnífico é realmente inspirador. Essa é uma forma de, digamos, seduzir os jovens a descobrir o Concertgebouw e, com sorte, deixá-los tão empolgados que queiram voltar”, comenta Simon Reinink, diretor-geral da instituição. Essa ideia surgiu pela primeira vez durante a pandemia de COVID-19, quando a Entree buscava maneiras de apoiar os estudantes que estavam estudando à distância, ao mesmo tempo em que os aproximava da música clássica. Desde então, essas sessões se mostraram um sucesso, com estudantes retornando com frequência para se preparar para exames ou finalizar suas teses.
Kyra Mulder, uma estudante de terapia ocupacional de 21 anos, compartilha sua experiência: “Na verdade, é muito calmante e me ajuda a focar no que preciso fazer. Isso me surpreende, porque normalmente não escuto música clássica, então é uma nova experiência para mim.” O professor Bas Bloem, neurologista no Centro Médico Universitário Radboud, em Nimega, complementa essa visão. Ele afirma que, embora a música possa, de fato, distrair algumas pessoas, para outros, ela pode ser uma ferramenta útil para aumentar a concentração. “Acredito que a razão pela qual a música de fundo pode ser tão tranquilizadora é que ela cria um estado de flow”, explica.
O flow, segundo ele, é esse equilíbrio intrigante entre o nível de habilidades e o grau de desafio. “É nesse ponto ideal que queremos estar. Não queremos ser excessivamente desafiados, nem subestimados. E a música de fundo pode ajudar a alcançar esse estado. Todos sabem que, quando estamos nesse estado, podemos trabalhar indefinidamente e sermos extremamente produtivos.” Os ingressos para essas sessões custam apenas 2,50 euros e incluem acesso gratuito à rede Wi-Fi do edifício. Estudantes como Thijmen Broekman, que estuda medicina, afirmam que o ambiente e a música tornam mais fácil realizar múltiplas tarefas e manter o foco. “Não sinto dificuldade em fazer multitarefa aqui, porque o ambiente é muito calmo e a música é suave. Isso me ajuda a me concentrar e não tenho problemas em lidar com várias atividades ao mesmo tempo”, conclui.