A Polícia Civil do Distrito Federal investiga como homicídio três mortes ocorridas no fim de 2025 no Hospital Anchieta, em Taguatinga. Três ex-técnicos de enfermagem foram presos, suspeitos de aplicar medicamentos de forma irregular e até desinfetante hospitalar em pacientes internados na UTI.
Segundo a investigação, um dos suspeitos aplicou desinfetante, com seringa, dez vezes em uma paciente de 75 anos, no mesmo dia em que ela sofreu sucessivas paradas cardíacas. Em outro caso, um técnico de 24 anos usou indevidamente o acesso ao sistema do hospital, vinculado à conta de um médico, para prescrever, retirar e administrar medicamentos sem autorização da equipe médica em três pacientes.
As ocorrências foram registradas em 17 de novembro e 1º de dezembro. Após as aplicações, o suspeito realizava manobras de massagem cardíaca para simular tentativas de reanimação e ocultar a autoria dos crimes. Imagens das câmeras da UTI mostram que as aplicações coincidiam com a piora súbita do quadro clínico das vítimas: uma professora aposentada de 75 anos, moradora de Taguatinga; um servidor público de 63 anos, do Riacho Fundo I; e um servidor público de 33 anos, de Brazlândia. De acordo com a diretora do Instituto Médico Legal (IML), Márcia Reis, os pacientes tinham quadros clínicos distintos, o que reforçou a suspeita diante da rápida deterioração do estado de saúde.
As prisões ocorreram no dia 11, com cumprimento de mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás. Uma segunda fase da operação, no dia 15, resultou na apreensão de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia, mas o caso só veio à tona nesta segunda-feira (19) porque corre em segredo de Justiça. A polícia apura se há outros casos semelhantes no Hospital Anchieta ou em unidades onde os suspeitos tenham atuado.
Em nota enviada ao Brasília Capital, o Hospital Anchieta informou que suas equipes identificaram situações atípicas nos óbitos e instauraram um comitê interno de análise. Informou também que a investigação interna foi conduzida de forma célere e, em menos de 20 dias, reuniu evidências que embasaram o pedido de abertura de inquérito policial e a adoção de medidas cautelares, incluindo a prisão dos ex-funcionários, que já haviam sido desligados da unidade.
“O Hospital solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a justiça”, diz outro trecho.
Leia a íntegra da nota abaixo:
O Hospital Anchieta S.A., referência em cuidados de saúde em Brasília/DF há 30 anos, vem a público esclarecer as providências adotadas diante de fatos graves envolvendo ex-funcionários da instituição.
Ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua Unidade de Terapia Intensiva, o Hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise e conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes.
Com base nessas evidências, fruto da investigação interna realizada pela instituição, o próprio Hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos os quais já haviam sido desligados da Instituição, prisões as quais foram cumpridas pelas autoridades nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026.
Pautado pela transparência de seus processos e pela confiança nos protocolos internos que norteiam sua atuação, o Hospital entrou em contato com as famílias envolvidas, prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora. Reitera, ainda, que o caso tramita em segredo de justiça, o que impossibilita a divulgação de informações adicionais bem como a identificação das partes envolvidas.
O hospital entende que o segredo de justiça é imprescindível à preservação da apuração, à proteção das partes envolvidas e ao regular exercício das atribuições das autoridades competentes, o qual deve ser estritamente observado de acordo com os limites impostos pela decisão judicial.
O Hospital, enquanto também vítima da ação destes ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a justiça.
Brasília/DF, 19 de janeiro de 2026
Hospital Anchieta S.A.