O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, fez um pedido ao Itamaraty nesta quarta-feira, dia 11, visando entender a agenda do assessor de Donald Trump, Darren Beattie, durante sua estadia no Brasil. Moraes quer saber se Beattie possui compromissos agendados e se realmente solicitou uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha, em Brasília.
É importante ressaltar que o STF já autorizou um encontro entre Beattie e Bolsonaro para a próxima quarta-feira, dia 18. Entretanto, os advogados de Bolsonaro solicitaram que a visita fosse remarcada para segunda-feira (16) ou terça-feira (17), alegando compromissos inadiáveis de Beattie no Brasil que inviabilizariam a reunião na data original. Para a defesa de Bolsonaro, a data estipulada pelo ministro "acaba por inviabilizar materialmente a própria realização da visita autorizada".
Como funcionário de alto escalão do Departamento de Estado dos Estados Unidos, a agenda de Beattie é bastante restrita. Moraes, portanto, requisitou ao Ministério das Relações Exteriores informações sobre a agenda diplomática de Beattie, que ocupa o cargo de Senior Advisor for Brazil Policy, além de qualquer pedido relacionado à visita ao ex-presidente Jair Messias Bolsonaro.
Moraes determinou que o encontro ocorresse na quarta-feira, pois essa é a data específica reservada para visitas ao 19.º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, onde o ex-presidente cumpre uma pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado. "Não há previsão legal ou excepcionalidade para realizar alteração específica de dia de visitação", enfatizou Moraes, destacando que os visitantes devem se adaptar ao regime do estabelecimento prisional para garantir a segurança do local.
Darren Beattie vem ao Brasil com o objetivo de compreender o funcionamento do processo eleitoral do país. Segundo seus advogados, a visita possui um "evidente interesse institucional". Nomeado para o cargo no mês passado, Beattie é responsável por coordenar políticas e ações entre Washington e Brasília, e é conhecido por suas críticas ao governo Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, especialmente no contexto das investigações sobre a trama golpista.