Medalha de ouro em mobilidade urbana

mmPor ,27/09/2018 às 15:38, Atualizado em 27/09/2018 às 15:39

Investimento de R$ 6,88 bilhões em 14 anos daria ao DF padrão europeu de transporte público

 

Maquete mostra sistema de transporte público padrão europeu numa suposta Olimpíada em Brasília em 2032

Em tempos eleitorais, volta à baila o debate sobre mobilidade urbana e transporte público. Entra governo, sai governo, e as coisas, literalmente, não andam. E o que é pior: desde o governo Arruda, em 2009, a má-gestão administrativa dos governantes que passaram no Buriti fez a cidade perder cerca de R$ 1,2 bilhão que deveriam ser empregados na ampliação do metrô e da implantação do VLT. Esses dois serviços, segundo as previsões iniciais, já deveriam estar em pleno funcionamento.

O Distrito Federal poderia ter hoje outro padrão de qualidade de vida, caso os projetos de mobilidade urbana tivessem sido implantados. Certamente, o título da terceira cidade da América do Sul mais engarrafada não teria sido entregue a Brasília. As pessoas ficariam menos tempo presas no trânsito, ou enlatadas em desconfortáveis ônibus e num metrô insuficiente.

Um estudo acadêmico realizado pelo arquiteto e urbanista Matheus Augusto de Oliveira e Carvalho sobre uma hipotética situação em que Brasília sediaria as Olimpíadas de 2032, demonstra, no capitulo sobre mobilidade urbana, como a Capital Federal poderia ter um padrão Europeu de transporte Público.

É importante salientar que a proposta tem o transporte sobre trilhos como seu carro-chefe, abandonando as tradicionais soluções rodoviaristas. O trabalho parte do que existe de concreto atualmente e o que deveria ser feito nos próximos anos. Na combinação dessa estrutura, o segredo é a integração dos modais (tipos de transporte), permitindo viagens em ônibus, metrô, VLT e até trem regional com bilhete único, válidos para todo o dia ou para a semana inteira.

Linhas férreas – A proposta do urbanista parte do Entorno com a transformação da extinta linha da RFFSA em um Trem Regional. Essa ideia não é nova. Há muito se cogita essa adaptação entre Luziânia (GO) até a antiga Rodoferroviária. Mas ele inova ao propor que a linha se amplie até Formosa, do lado Norte do DF.

Assim, dois dos principais corredores de passageiros para o Plano Piloto seriam atendidos por via férrea. Além disso, moradores de Planaltina, Sobradinho, Fercal e condomínios seriam dotados de um metrô de superfície. O mesmo aconteceria do lado Sul, para quem mora em Santa Maria, Gama, Park Way, Núcleo Bandeirante e Guará.

O projeto retoma o denominado Expresso Pequi, ligando Brasília a Goiânia e atendendo localidades como Águas Lindas, Santo Antônio do Descoberto, Abadiânia, Alexânia e Anápolis. Um novo corredor de desenvolvimento se formaria, diminuindo a pressão sobre a Capital Federal.

Metro e VLT – O estudo reforça a necessidade de a linha atual do metrô ser concluída, chegando, de um lado, até ao Setor O da Ceilândia e à Expansão de Samambaia, e, de outro, até a extremidade da Asa Norte, onde seria construído um terminal nas imediações da Ponte do Bragheto. Além disso, ele resgata a linha de VLT interligando o Aeroporto ao Terminal Norte, porém passando pela Avenida W-3 Sul e Norte. Esta obra é vista como a redenção da W-3 Sul, que a cada dia fica mais sucateada.

A nova malha de transporte coletivo incluiria, ainda, três outras linhas de VLT. 1) Sol Nascente – Asa Sul, atravessando Taguatinga desde a Avenida Hélio Prates até a Praça do Relógio, de lá atravessaria a cidade pelo Pistão Sul, se dirigindo ao Núcleo Bandeirante, Rodoviária Interestadual e Estação Asa Sul do Metrô. 2) Praça do Relógio – Asa Norte, via Sudoeste, Esplanada dos Ministérios e Noroeste; e 3) Rodoferroviária – Vila Planalto, passando pelo Eixo Monumental. Tudo se integrando na Rodoviária do Plano Piloto, de onde sairia também uma linha especial de BRT para a UnB, via L.2 Norte.

O estudo não traz alternativas para um setor do DF que vem crescendo em demasia, que é o Lago Sul, Jardim Botânico, São Sebastião, Paranoá e Itapuã. Mas a materialização dessas linhas, com certeza traria um desafogo tanto àqueles que se deslocam por meio de transporte coletivo, quanto de carro particular.

Valores – A implantação de todos esses modais – duas linhas de VLT, duas linhas de trens regionais e a expansão de uma linha do BRT em Brasília – sairia por aproximadamente R$ 6,88 bilhões, 34% a menos em relação aos R$ 10,4 bilhões gastos na construção dos 16 quilômetros da Linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro para as Olímpiadas de 2016.

A proposta é apontada para daqui a 14 anos. Com um investimento anual de R$ 500 milhões e o compromisso de todos os governantes com o projeto. Seria possível uma Brasília, medalha de Ouro em Mobilidade Urbana.

1 comentário em “Medalha de ouro em mobilidade urbana”

  1. Brasília é plana. Há espaço de sobra para ampliação das vias. Eliminar o atual e equivocado afunilamento de pistas já ajudaria muito. Praticamente manter o traçado de Lúcio Costa, adequando as faixas de rolamento ao volume de crescimento dos usuários. Mandar essa conta de 7 Bilhões para o contribuinte? Somos uma população economicamente ativa de quantos hoje? A CODEPLAN havia sido criada para isso… Hoje somos uns 2 milhões que devem mais do que triplicar em 14 anos? Propor um investimento de 3,5 mil reais por brasiliense, na proporção de 500 milhões de reais por ano seria A MELHOR SOLUÇÃO? Isso representaria R$ 12 mil reais por mês para cada um pagar… Não seria melhor incentivar a criação e o uso com alíquotas diferenciadas de ipva e icms nos veículos elétricos (motos, carros, micro-ônibus), sendo que alguns possibilitam o uso compartilhado?

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