Tersandro Vilela (*)
A Marvel prepara uma mudança de rumo com VisionQuest, prevista para 2026 no Disney+. Em vez de priorizar grandes batalhas, a série desloca o foco para dilemas da inteligência artificial, tema já presente no debate público. Derivada de WandaVision, a trama acompanha o Visão Branco, reconstruído após Avengers: Infinity War (2018) e reconfigurado na série.
O personagem recupera memórias, mas não os vínculos emocionais. A partir dessa ruptura, a narrativa retoma uma questão clássica da ficção científica: o que define a identidade.
O projeto é conduzido por Terry Matalas, com Paul Bettany no papel principal e James Spader previsto como Ultron, inteligência artificial já conhecida do público. A relação entre os dois organiza o conflito, menos centrado em confronto físico e mais voltado a criação, autonomia e responsabilidade.
A aposta não surge isolada. Nos últimos anos, a Marvel tem testado formatos no streaming, como em WandaVision, com maior liberdade de linguagem, estratégia que se mantém em VisionQuest ao incorporar discussões sobre inteligência artificial, hoje presentes no cotidiano de governos e empresas.
A escolha do tema acompanha um movimento mais amplo da indústria audiovisual, que passou a tratar a inteligência artificial menos como ameaça abstrata e mais como problema concreto, ligado a autonomia de sistemas, produção de conteúdo e responsabilidade sobre decisões automatizadas.
Ao reduzir o espaço da ação e dar mais peso ao conflito interno, a série aponta uma inflexão: em um cenário em que sistemas de inteligência artificial ganham espaço, o universo de super-heróis passa a dialogar de forma mais direta com questões contemporâneas.
(*) Jornalista pós-graduado em Filosofia, especialista em Liderança: gestão, resultados e engajamento, e mestrando em Inovação, Comunicação e Economia Criativa