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Manobra de Cunha leva reforma política ao plenário nesta terça-feira

  • Redação
  • 26/05/2015
  • 10:17

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\"20150526091819828531u\"Ao temer a derrota do \”distritão\”, o presidente da Câmara decide votar mudanças nas regras eleitorais sem passar pela comissão especial, que discutiu o tema ao longo dos últimos três meses. Líderes partidários e relator do antigo texto falam de autoritarismo.

Uma manobra do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com o apoio de líderes partidários da base e da oposição, fez com que a reforma política seja votada hoje diretamente em plenário, sem aprovação do relatório da comissão especial instalada há três meses para debater o tema. O documento, com pontos considerados polêmicos, deveria ter sido votado ontem, no entanto, havia o receio de que o “distritão” e outros itens defendidos por Cunha pudessem ser derrotados no colegiado e chegar ainda mais enfraquecidos ao plenário. O relator, deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), falou em “falta de respeito” e disse que “fez papel de bobo”. Outros integrantes da comissão classificaram a atitude como autoritaria e golpista. Alguns chegaram a sentenciar o sepultamento da reforma política.

Na tarde de ontem, o presidente da Casa confirmou a ordem dos pontos que serão votados a partir de hoje em plenário: sistema eleitoral, financiamento de campanhas, reeleição, duração dos mandatos de cargos eletivos, coincidência dos mandatos, cota de 30% para mulheres, fim da coligação proporcional, cláusula de barreira, dia da posse para presidente da República e voto obrigatório.

“É uma completa falta de respeito. Não ao relator em si. Todo esse acúmulo de conhecimento e de informações vai ser jogado no lixo. O nosso trabalho vai ser substituído por um relator de plenário que vai fazer em cinco minutos aquilo que nós fizemos em três meses. Terá que ser (um relator) submisso à vontade do presidente da Casa. Eu não fui submisso a ele e não serei a ninguém”, desabafou Castro.

Na votação de hoje, o relator de plenário será o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ). Ele presidiu a comissão especial da reforma política. “Discordamos 200% desse assassinato ao rito parlamentar mais elementar. E o pior dos mundos, o mais autoritário. Esvaziaram a comissão. O pior e que o presidente do colegiado foi o agente deste assassinato” declarou o liíder do PSol, Chico Alencar (RJ). Ele brincou com a ausência do deputado do DEM na reunião que votaria o relatório. “A comissária de bordo insistiu para que o presidente cumprisse o seu papel e estivesse aqui. Foi chamado no voo Rio-Brasília, as 11h58. Na minha santa ingenuidade, achei que ele teria vindo antes. Isso é um golpe”, afirmou. “Eles (Castro e Alencar) estavam de cabeça quente. Eu fiz tudo para viabilizar o relatório. A decisão de não votar foi dos líderes. Eu iria fazer o quê?”, perguntou Maia.

Defesa
Eduardo Cunha afirmou que todos terão a oportunidade de defenderem o que acham melhor para o país. “Amanhã (hoje), aqueles que pregam a reforma política vão ter a oportunidade de votar. Votem. Escolham o seu modelo e votem”, afirmou. O peemedebista trabalhou para aprovar o chamado “distritão”, modelo que, na opinião dos críticos, privilegia o individualismo na política, a influência do poder econômico e aniquila as minorias. Ganha a vaga aquele deputado ou vereador que receber o maior número de votos. Hoje, o sistema é proporcional.

 leia mais:


Cunha diz que resultado da votação da reforma política é imprevisível


Fragilidade tem reflexos na CLDF


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