Cecília Garcia (*)
O tempo é cruel para as mulheres que desejam experienciar a gravidez. Diferentemente dos homens, que produzem novos espermatozoides durante toda a vida, as mulheres nascem com uma quantidade pré-definida de óvulos, que diminui ao longo dos anos.
Essa diferença biológica impacta decisões, planos e até a forma como muitas enxergam o próprio futuro: carreira ou família? Ter ou não ter filhos? Não desejar a gravidez agora não significa que essa decisão seja definitiva.
Mas o relógio não espera, e o cronômetro biológico continua correndo. É justamente nesse contexto que a criopreservação de óvulos ganhou espaço nas últimas décadas.
A técnica consiste no congelamento dos gametas femininos em temperaturas extremamente baixas (cerca de 196 graus negativos) para que possam ser usados futuramente em tratamentos de reprodução assistida.
A inovação deu mais tempo para as mulheres que desejam adiar a maternidade por razões profissionais, afetivas, financeiras ou de saúde.
BEBÊ DE PROVETA – Embora pareçam recentes, as técnicas de reprodução assistida existem desde 1978, quando nasceu o primeiro bebê do mundo concebido por fertilização in vitro (FIV), a britânica Louise Brown.
De maneira simplificada, a FIV funciona a partir da coleta dos óvulos e dos espermatozoides, que são unidos em laboratório para formar embriões. Depois, esses embriões podem ser transferidos para o útero da paciente. Na criopreservação, os óvulos são congelados antes da fertilização, permitindo que sejam utilizados anos depois.
Curiosamente, o procedimento não surgiu como uma ferramenta de planejamento reprodutivo. A ideia inicial era ser uma estratégia de preservação da fertilidade para pacientes com câncer, já que tratamentos como quimioterapia e radioterapia podem comprometer a função ovariana e reduzir drasticamente as chances de gravidez.
Apesar do cunho social, o acesso a essas técnicas está longe de ser democrático. Em clínicas privadas no Brasil, os custos podem ultrapassar R$ 30 mil.
Mas o que pouca gente sabe é que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece alguns serviços ligados à reprodução assistida em hospitais públicos e universitários de determinadas regiões do País.
O primeiro passo é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e buscar mais informações!
(*) Jornalista | Mestre em Comunicação