Magela ainda sonha com o Buriti

orlandopontesPor ,24/06/2013 às 12:12, Atualizado em 24/06/2013 às 12:12

BC – Quais são os projetos do governo Agnelo na área habitacional para contemplar a classe média?             Magela – Vicente Pires é uma área emblemática, que nós e o governo federal vamos regularizar. Já temos o projeto urbanístico e licença ambiental prontos. Estamos na dependência da transferência da área da União para o GDF, …

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BC – Quais são os projetos do governo Agnelo na área habitacional para contemplar a classe média?

            Magela – Vicente Pires é uma área emblemática, que nós e o governo federal vamos regularizar. Já temos o projeto urbanístico e licença ambiental prontos. Estamos na dependência da transferência da área da União para o GDF, para que nós façamos a legalização final.

BC – Um requisito ambiental para a regularização de Vicente Pires seria a existência de uma área de preservação. Foi apontada a alternativa de anexar o Taguaparque, que pertence a Taguatinga, à Região Administrativa de Vicente Pires. Isso é possível?

            Magela – Para fazer a regularização de Vicente Pires é necessário um percentual de áreas verdes e de equipamentos públicos. Nesse sentido, nós temos que considerar o Taguaparque na área de regularização. Isso já foi feito. Já foi aprovado na área ambiental. Isso não significa, porém, a divisão das regiões administrativas. O Taguaparque vá ficar em Vicente Pires, mas na divisão das administrativas permanecerá em Taguatinga. Não existe polêmica. Uma coisa é o processo de legalização de Vicente Pires, que hoje está praticamente pronto. Outra coisa é a divisão das regiões administrativas, que também está sendo rediscutida. Mas não há polêmica dentro do governo. O governador e todos nós já deixamos bem claro que o Taguaparque ficará dentro da poligonal de Taguatinga.

            BC – O GDF retirou da Câmara Legislativa os projetos da LUOS e do PPCUB. Já existe alguma perspectiva para a reapresentação dessas propostas?

            Magela – O governo está dialogando para definir se esses projetos retornam à Câmara ou não. Esta é uma decisão que cabe ao governador. Estamos aguardando.  É uma posição política dele com os partidos da base aliada. No tocante à responsabilidade da Sedhab, estamos prontos para a qualquer momento devolver os projetos para serem remetidos pra Câmara.

            BC – Existe alguma alteração nesses projetos?

            Magela – Não. Não há nenhuma previsão de alteração. Se houver, será muito mais de forma do que de conteúdo. Nesse momento não há nenhuma alteração sendo discutida.          O PPCUB (Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília) trata da área tombada. Refere-se ao Plano Piloto, Cruzeiro, Octogonal, Sudoeste e Candangolândia. Todas as outras áreas serão tratadas na LUOS – Lei de Uso e Ocupação do Solo.

            BC – Existem grandes interesses imobiliários, principalmente às margens do Lago Paranoá…

            Magela – O PPCUB foi o projeto de lei mais discutido na história do Distrito Federal. Tivemos quatro audiências públicas com a presença de mais de três mil pessoas. Existem interesses diversos que às vezes são conflitantes.

BC – Cite alguns exemplos.

            Magela – Na área central de Brasília, existem os hotéis pequenos, de dois ou três pavimentos, que querem crescer dez. Os donos dos grandes hotéis não querem que eles cresçam. Então, é um interesse conflitante. O governo é a favor da ampliação. Vai depender dos deputados. Outro exemplo é o conflito das pousadas da W3. Elas querem permanecer e os moradores são contra. O GDF decidiu que a área será exclusivamente residencial e que as pousadas poderão funcionar nas áreas comercias das quadras 500 e 700 da Asa Norte. Na Asa Sul, o funcionamento das pousadas será permitido apenas na área comercial das quadras 500. Não queremos tirar as pousadas do Plano Piloto, mas, queremos retirá-las de área residencial, e isso também vai depender da Câmara Legislativa.

BC – Mas, e a orla do Lago?

            Magela – Eu diria que não existem muitos interesses conflitantes. O que há é uma visão de um segmento da população, de que é preciso abrir mais áreas de lazer, mais áreas públicas para o lago e menos privatização. Isso, de certa forma, foi atendido.

BC – E quanto ao uso comercial das margens do Lago para a hotelaria?

            Magela – Isso já existe. Na verdade, existia desde o projeto original, que já previa áreas para hotéis. Depois, outras áreas foram alteradas para hotel, e agora nós estamos consolidando o que existe e ampliando uma ou outra área muito localizada. Estamos proibindo residências nessas áreas, porque alguns casos viraram apart hotel. Então, o que há é basicamente a consolidação do que já existe, com a mudança de algumas áreas, em comum acordo, inclusive com o IPHAN.

BC – Qual a solução o governo pretende propor para a Quadra 901?            Magela – Decidimos colocar no PPCUB que o governo vai fazer um debate com a sociedade para estabelecer o melhor projeto para aquela área. Muitas das divergências que existem por aquela área são por incompreensão. Tem gente que opina sem saber direito o que está falando. Aquela é uma área para ser ocupada. Tem arquiteto que defende que deve ser ocupada por 9m de altura e tem gente que acha isso um absurdo, já que está no centro da cidade e é a última área naquele setor. Esse é um debate que não está concluído e não consta do PPCUB. No PPCUB o que ficou estabelecido é que o governo vai destacar e fazer um projeto, um debate específico.

BC – Como ficou a situação da Quadra 500 do Sudoeste?

            Magela – Do ponto de vista urbanístico, o governo e o IPHAN autorizaram a construção da quadra e o Ministério Público ganhou a suspensão na Justiça. É um debate que a empresa proprietária da quadra está disputando na justiça. Pelo governo e pelo IPHAN, a quadra pode ser construída.

BC – Com tantos projetos em benefício de grandes e importantes parcelas da população, como ficam os planos do político Geraldo Magela para 2014?

            Magela – Nós hoje temos o privilégio de ter o PT alinhado nos planos regional e nacional. Este sempre foi um sonho nosso. Quando fui candidato a governador eu dizia que o melhor dos mundos seria ser governador junto com o presidente da República do mesmo partido. Sobretudo, do PT. Hoje, temos o governo local alinhado com o governo federal e meu maior projeto é a reeleição desses dois governos, da presidenta Dilma e do governador Agnelo Queiroz.

BC – Mas em 2010 o sr. disputou as prévias do PT com o Agnelo…

            Magela – Nós não vamos estabelecer internamente uma disputa com o Agnelo. Eu tenho dito que nós devemos olhar com muito cuidado o cenário das composições, porque podemos ter uma chapa plural. Hoje, nós temos o PDMB como vice. É claro que esse é um debate ainda não concluído. Primeiro, temos que saber se o PMDB quer continuar. Depois, saber o que isso agrega ou não para a chapa. Nós temos vários partidos que estão conosco e que temos interesse de manter. Agora, é um processo de composição.

BC – O sr. pretende disputar a vaga de senador?

            Magela – Meu nome tem sido lembrado dentro do PT para uma candidatura ao Senado. Eu acredito que dez em cada dez petistas querem que o PT tenha candidato próprio ao Senado. No PT se colocam ou são lembrados dois nomes: o meu e o do deputado distrital Chico Leite. Mas nós vamos ter que primeiro decidir se a vaga será do PT. Os petistas querem essa vaga. Aí, teremos que decidir qual candidatura ao Senado ajudará mais o Agnelo a ganhar a reeleição e qual senador eleito ajudará mais a Dilma depois. É um processo que precisa ser composto, porque, às vezes, o que é melhor candidato pode não ser o melhor senador depois de eleito. E o melhor senador depois de eleito pode não ser o melhor candidato. Então, é uma equação que terá que ser feita até o início do ano que vem, porque ainda é muito cedo para essas definições. Mas as cartas estão na mesa. Todo mundo tem que trabalhar com essas possibilidades.

            BC – Então o sonho do deputado de um dia ser governador ainda está vivo?

            Magela – Eu disputei a prévia com o Agnelo porque queria ser candidato a governador e queria ser eleito. A candidatura a governador é uma candidatura de oportunidade. Em 2002 nós tivemos uma prévia de cinco candidatos do PT e eu ganhei. Depois o PT escolheu outros candidatos, em outros momentos. Foram excelentes candidatos, como a Arlete Sampaio, em 2006 e Agnelo em 2010. Eu ainda vou ter a oportunidade de lutar pelo governo. A conjuntura política se altera, às vezes com tanta rapidez que você não tem como prever hoje o que vai acontecer em um futuro muito curto.

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