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colaboradores, Política

Lula já perdeu o que tinha de perder

Presidente passou pelas turbulências que seus adversários ainda terão de enfrentar. E são muitas...

  • Júlio Pontes
  • 15/04/2026
  • 18:00

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Foto: Ricardo Stuckert / PR

Júlio Pontes

Todas as pesquisas de intenção de voto divulgadas nas últimas semanas sugerem a mesma tendência na disputa pela Presidência da República: Lula perdeu força. O levantamento do DataFolha, divulgado no sábado (11), por exemplo, aponta para um empate técnico do presidente, no segundo turno, com Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Flávio Bolsonaro (PL).

Apesar de parecer um cenário caótico à primeira vista, tenho motivos concretos para desacreditar de prognósticos tão negativos para o petista. O primeiro argumento para acreditar que Lula é o favorito para outubro é que ele (ainda) é o primeiro em todas as pesquisas quantitativas (espontâneas, estimuladas, primeiro e segundo turnos). Mas isto me parece óbvio.

O que poucos falam é que Lula, ao contrário dos seus adversários, já enfrentou enormes crises reputacionais: Mensalão, Lava Jato, ficou 580 dias preso e viu sua correligionária Dilma Rousseff sofrer impeachment. Tudo isso antes de se eleger para o terceiro mandato no Planalto. 

Flávio Bolsonaro, por exemplo, tem o sobrenome que o torna o mais competitivo dos adversários de Lula. Porém, a alcunha também traz consigo uma rejeição. Lembrem-se: em 2022, Lula venceu com muitos votos de quem se recusou a votar no seu adversário – o pai de Flávio, ex-presidente Jair Bolsonaro –, o que pode voltar a ocorrer com o Zero Um.

O PT não se furtará a explorar as declarações do Capitão na pandemia, casos suspeitos de “rachadinha” no gabinete; a loja de chocolate; a condecoração ao falecido miliciano Adriano da Nóbrega e o recebimento de doações de campanha feitas por Cristiano Zettel, sócio do Banco Master, ao seu pai em 2022. Tudo isso junto, dito repetidas vezes na televisão, nas redes sociais, nos grupos de WhatsApp pode mudar o voto. E não é só contra Flávio.

Já começamos a ver outros pré-candidatos sofrerem desgastes após anunciarem que vão encarar o desafio presidencial. Na última semana, Renan Santos (Missão) confessou o uso de cogumelos alucinógenos após ter conversas vazadas. Jornais e influenciadores de esquerda descobriram uma dívida de quase R$ 1 milhão do líder do MBL com a Fazenda Nacional. Ele ainda não explicou. Mas os assuntos voltarão à tona no período eleitoral.

Ronaldo Caiado se orgulha de ser “ficha limpa em 40 anos de política” e de ter aprovação de mais de 80% à sua gestão em Goiás. Ainda assim, teve que responder a razão de 10 familiares seus estarem nomeados para cargos no governo estadual. Não há ilegalidade nisso, mas há, sim, um desgaste perante o eleitor.

Quanto a Zema, a ficha de equívocos administrativos será extensa. A começar pelo crescimento da dívida de Minas Gerais com a União, que aumentou quase 60% durante sua gestão. Além das privatizações que vêm causando prejuízos aos mineiros.

Citados alguns exemplos recentes, lembro ao leitor que, em 2014, a então candidata do PSB, Marina Silva (agora no PT), chegou a liderar as pesquisas logo após o acidente aéreo que vitimou Eduardo Campos. 

Com isso, a campanha petista coordenada por João Santana voltou sua artilharia, que até então estava apontada para Aécio Neves, à ex-ministra do Meio Ambiente. Anos depois, o mesmo marqueteiro disse que faria novamente aquilo que chamou de “jogo metafórico”. 

Por tudo isso, acredito é que Lula já perdeu o que tinha para perder – e terá tempo para recuperar. Já os demais candidatos, não.

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