Lula faz do limão uma limonada

BSB Capital 05/03/2016 às 17:12, Atualizado em 09/07/2016 às 3:53

Os adversários sonhavam com o momento em que a Operação Lava-Jato, conduzida há dois anos com mão de ferro pelo juiz curitibano Sérgio Moro, chegasse ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Eles acreditavam que tal ato seria a pá de cal que enterraria o Partido dos Trabalhadores e encerraria a carreira política do petista. …

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A volta a São Bernardo do Campo. Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula
A volta a São Bernardo do Campo. Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

Os adversários sonhavam com o momento em que a Operação Lava-Jato, conduzida há dois anos com mão de ferro pelo juiz curitibano Sérgio Moro, chegasse ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Eles acreditavam que tal ato seria a pá de cal que enterraria o Partido dos Trabalhadores e encerraria a carreira política do petista. Esse momento se materializou no início da manhã de sexta-feira (4), na 24ª etapa da Lava-Jato, batizada de Aletheia (em grego, busca da verdade).

Mas o sonho dos oposicionistas pode ter se tornado pesadelo. Conduzido coercitivamente pela Polícia Federal, Lula foi levado para o aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Durante quatro horas, prestou depoimento aos procuradores e respondeu perguntas sobre as suspeitas de ser proprietário de um sítio em Atibaia e de um apartamento triplex no Guarujá.

Lula teve que dar explicações até sobre e a compra de pedalinhos (R$ 2 mil) e de um barco (R$ 4 mil), usados por seus netos e por sua esposa, Mariza Letícia, para navegar no laguinho da propriedade rural que ele garante ser da família de seu amigo Jacó Bittar, com quem fundou o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo em 1975, em plena ditadura militar.

“Eu me senti prisioneiro”, disse Lula, que garantiu jamais ter sido intimado a ir a Curitiba para depor ao juiz Sérgio Moro. “O país está sendo vítima de um espetáculo midiático”, emendou o petista, criticando os grandes veículos de comunicação, em especial a Rede Globo.

O petista aproveitou para avisar à militância que, a partir de segunda-feira (7) estará à disposição para voltar a percorrer o Brasil para levar a mensagem de seu partido e defender o governo da presidente Dilma Rousseff. Ele deixou no ar a possibilidade de concorrer ao Palácio do Planalto nas eleições de 2018. “A partir da semana que vem, quem quiser marcar discurso comigo é só pagar a passagem de avião”.

Briga de rua – A deflagração da Operação Aletheia pegou de surpresa até a presidente Dilma Rousseff, que andava de bicicleta nas imediações do Palácio da Alvorada, em Brasília, enquanto os homens da Polícia Federal cumpriam 44 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, em São Paulo e na Bahia.

Por todo o país houve comemoração dos adversários, inclusive com panelaços em diversas cidades, e apreensão dos aliados de Lula, que passaram a articular a reação, utilizando principalmente as redes sociais. O presidente do PT, Rui Falcão gravou vídeo conclamando a militância a manter uma postura de “vigília e mobilização”, para organizar a reação.

De dentro de um táxi, ainda de cabelos molhados, a deputada federal Jandira Feghalli (PC do B-RJ) dirigia-se a um encontro na capital paulista onde os defensores de Lula debateram durante toda a manhã os caminhos para mostrar apoio popular ao ex-presidente. “A sociedade não aceitará este golpe contra a legalidade e a democracia brasileira”, disparou.

No Rio de Janeiro, o senador Lindberg Faria (PT-RJ), sem camisa, partiu para a periferia em busca de reunir aliados para ficarem em alerta. No subúrbio de São Paulo, o Movimento Sem-Terra (MST) contratou 50 ônibus para transportar pessoas de Cidade Tiradentes, na Zona Leste, um reduto petista, dispostas a ir para um ponto de concentração que ainda não havia sido definido pela coordenação.

No vídeo, Rui Falcão conclama todos os diretórios regionais do PT a ficarem “em alerta contra o golpe”. Além de discursos de deputados e senadores do partido atacando a ação da PF, as principais lideranças petistas da capital da República foram convocadas para uma reunião de emergência numa casa no Lago Sul. Outros grupos se concentraram na sede local do PT, em vários sindicados e na Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Ex-presidente da OAB do Rio de Janeiro e deputado federal pelo PT fluminense, o advogado Wadih Damous considerou a ação da PF contra Lula “um sequestro perpetrado a mando do juiz da Lava-Jato”. Segundo ele, “condução coercitiva acontece quando alguém intimado a depor perante o juiz não comparece. Lula jamais se negou a depor e sequer foi intimado”, publicou ele no Twiter. E completou: “o juiz Moro não é competente para apurar os fatos relativos a Atibaia e a um triplex do Guarujá. Portanto, “o que está em curso um golpe de estado”.

O deputado distrital Chico Vigilante (PT-DF) também saiu em defesa do ex-presidente. “O alvo da República de Curitiba, formada pelo juiz Sérgio Moro, pela grande mídia e setores do Ministério Público e da Polícia Federal mancomunados com a oposição, sempre foi o ex-presidente Lula. Mas o povo está atento. “Não vamos aceitar mais essa tentativa de golpe e iremos às ruas com toda a nossa militância defender o maior líder político que o Brasil já teve”.

“Agora é briga de rua, e vai morrer gente”, vociferou um influente petista antes de desligar o celular para entrar na reunião na casa no Lago Sul de Brasília.

No Supremo Tribunal Federal, o ministro Marco Aurélio disse à imprensa que Sérgio Moro “atropelou as regras e é necessário colocar os pingos nos ‘is’, pois agiu como justiceiro e não como juiz”.

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