Seguidores, curtidas, visualizações e engajamento deixaram de ser apenas métricas digitais e passaram a ter peso também no cenário político. Desde fevereiro de 2026, a Lei nº 15.325/2026 reconhece oficialmente a criação de conteúdo multimídia e digital como profissão regulamentada, consolidando ainda mais a influência desses profissionais.
Esse alcance, que já se traduz em receita por meio de publicidade e parcerias, agora também é visto como ativo eleitoral. Com o fim da janela partidária, em 4 de abril, as legendas intensificaram a busca por nomes conhecidos, apostando na fama como estratégia para atrair votos e ampliar suas bancadas.
A tática não é novidade. Em 2010, o humorista Tiririca foi eleito deputado federal por São Paulo com mais de 1,3 milhão de votos, tornando-se um dos maiores fenômenos eleitorais do país. Desde então, foi reeleito e já acumula quatro mandatos na Câmara dos Deputados.
Outros famosos também trilharam esse caminho, como o ex-ator pornô Alexandre Frota e os cantores Agnaldo Timóteo (já falecido), Igor Kannário, Sérgio Reis e Leci Brandão, que conquistaram espaço na política. Por outro lado, nomes populares como Reginaldo Rossi, Renner (da dupla com Rick) e Tati Quebra Barraco não tiveram o mesmo sucesso nas urnas.
O uso de celebridades é mais comum nas eleições proporcionais, ou seja, para deputados federais, estaduais e distritais. Nesse sistema, nem sempre os mais votados são eleitos, já que o desempenho do partido ou coligação influencia diretamente o resultado. Por isso, os chamados “puxadores de voto” são estratégicos para elevar o número total de votos da sigla.
Além da representatividade, há também um fator financeiro: quanto maior a bancada na Câmara dos Deputados, maior será o repasse do fundo partidário nas eleições seguintes.
No cenário presidencial, o Brasil já viveu um episódio emblemático com o apresentador Silvio Santos, que, em 1989, chegou a ensaiar uma candidatura com chances reais de vitória, mas que foi impugnada pela Justiça Eleitoral. Para 2026, o escritor e psiquiatra Augusto Cury desponta como pré-candidato à Presidência da República.
Tendência que não é exclusividade do Brasil. O atual presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, era humorista antes de chegar ao poder. Já Donald Trump ganhou notoriedade na televisão antes de se eleger, por duas vezes, presidente dos Estados Unidos.
De olho em quem vai tentar transformar likes em votos, o Brasília Capital fez um levantamento de alguns dos famosos que se filiaram a partidos políticos e pretendem passar pelo crivo do eleitor. Confira:
Augusto Cury – escritor e psiquiatra, pré-candidato à Presidência pelo Avante
Gracyanne Barbosa – influenciadora fitness, pré-candidata a deputada federal pelo Republicanos (RJ)
Silvia Abravanel – apresentadora, pré-candidata a deputada federal pelo PSD (SP)
Val Marchiori – influenciadora, pré-candidata a deputada federal pelo Republicanos (SP)
Luís Maurício – ex-baixista do Natiruts, possível candidato a deputado distrital pelo PSB (DF)
Rico Melquíades – influenciador, candidato a deputado federal pelo PSDB (AL)
José de Abreu – ator, candidato a deputado federal pelo PT (RJ)