Jucá diz que deputados do PMDB são obrigados a proteger Temer

BSB Capital 01/08/2017 às 14:56, Atualizado em 18/09/2017 às 20:58

Líder do governo no Senado e presidente do PMDB, o senador diz que Michel Temer está sofrendo as consequências por estar fazendo o que outros presidentes da República não fizeram

O líder

BrasílRoRomero Jucá chega ao Ministério da Fazenda para discutir tramitação de Medida Provisória. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

 

do governo no Senado e presidente do PMDB, Romero Jucá (RR), reafirmou nesta terça-feira (1º), que os deputados peemedebistas são obrigados a votar contra o pedido de autorização do Supremo Tribunal Federal para investigar o presidente Michel Temer por crime de corrupção passiva. Disse que quem votar a favor sofrerá “consequências”, já que o partido fechou questão.

”O PMDB definiu fechamento de questão e qualquer ato em oposição à decisão do partido terá consequências”, disse. Ele argumenta que o presidente Michel Temer está sendo, inclusive, mal avaliado pela população porque está enfrentando desafios “que outros presidentes não enfrentaram”.

Sem paralisação

Romero Jucá igualmente contesta análises de que os trabalhos na Câmara dos Deputados fiquem paralisados até que a situação seja definida. O pedido de autorização do STF para processar Temer, o primeiro na história de um presidente em pleno exercício do cargo, deverá ser votado nesta quarta-feira (2).

Segundo Jucá, a Câmara tem duas matérias consideradas pelo governo fundamentais, além da análise de medidas provisórias. Uma delas é a reforma política que, para ter validade já nas eleições do ano que vem, tem que ser promulgada até o final de setembro. A outra é reforma da Previdência que tem que ser discutida e votada.

“Temos que colocar a matéria em votação. Até porque, é o déficit da Previdência, hoje, que está gerando todo esse desequilíbrio fiscal que gerou aumento de impostos na gasolina e está provocando a questão dos gastos públicos. Sem o grande déficit da Previdência as contas públicas estariam equilibradas”, disse.

Denúncia

Sobre a votação da admissibilidade da denúncia contra Michel Temer, que deve ocorrer no plenário da Câmara, Jucá disse que quem tem que se preocupar é a oposição. “Quem tem que colocar 342 [votos para dar prosseguimento a denúncia] é a oposição. Quando precisamos colocar 342 votos para tirar a Dilma, colocamos. Então, quem quer tirar o Michel, tem obrigação de botar 342 votos. Essa não é uma obrigação da base do governo”, destacou.

Desaprovação

Sobre o alto índice de rejeição do governo Temer apontado nas últimas pesquisas, Jucá sinalizou que o presidente é alvo de perseguição. “O presidente Michel está cumprindo um papel histórico, enfrentando os desafios que outros presidentes não enfrentaram. Se ele está com a popularidade baixa, isso é reflexo do enfrentamento que ele tem que fazer agora, que é muito mal explicado, que é sofismado, que é ‘mal intencionadamente colocado’. Portanto, a avaliação não tem que ser feita agora, tem que ser feita no final do próximo ano, quando o resultado da política econômica, das mudanças estruturais puderem ser feitas, e tenhamos outra realidade na sociedade brasileira como, por exemplo, a questão do desemprego.

Aumento de impostos

Após aumentar a PIS/ Cofins dos combustíveis, Jucá negou que o governo esteja discutindo novos aumentos de impostos. “Não há discussão de novo aumento de impostos.  O governo está avaliando todas as variáveis, todas as vertentes, para ver que tipo de solução pode dar. É claro que o aumento de impostos seria a última solução. Particularmente, não defendo aumento de impostos, mas temos que discutir a questão da economia com um todo. O presidente determinou à equipe econômica que construa opções para que possa decidir efetivamente o que fazer, o que é melhor para a sociedade brasileira e para a nossa economia”, afirmou.

MP reforma trabalhista

Sobre a medida provisória da reforma trabalhista, que será enviada pelo governo ao Congresso, com a promessa de aperfeiçoar pontos polêmicos da reforma trabalhista, Jucá disse que, como as novas regras só entram em vigor 120 dias após a sanção da lei, ainda há bastante tempo para discussão do texto final da MP. Segundo ele, à medida em que for avançando o texto será negociado com deputados e senadores para que chegue ao Congresso um texto mais consensual.

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