Jovem de Expressão e farmácia de alto custo disputam espaço em Ceilândia

gabrielpontesPor ,14/10/2021 às 1:45, Atualizado em 14/10/2021 às 11:40

Espaço atualmente ocupado pelo projeto Jovem de Expressão foi pleiteado pela Secretaria de Saúde e recebeu parecer favorável da Administração Regional para instalação de farmácia de alto custo no local

Jovem de Expressão, na Praça do Cidadão, em Ceilândia. Foto: Reprodução

O projeto Jovem de Expressão, que forma milhares de garotos carentes na Ceilândia há 15 anos, disputa com a farmácia de alto custo da Secretaria de Saúde o uso do antigo posto policial na Praça do Cidadão, atualmente ocupado pelos jovens.

O administrador da cidade, delegado Fernando Fernandes, explicou ao Brasília Capital que o uso do posto policial foi pleiteado pela farmácia de alto custo, que está com sérios problemas de estrutura. A Regional avaliou que a farmácia possui mais urgência. Mas sugere outros locais para o Jovem de Expressão.

Alternativas

“Demos um parecer favorável à farmácia de alto custo devido ao momento atual da pandemia, ao aumento dos casos de contaminação por covid-19 e por se tratar da distribuição de remédios para pessoas com comorbidades, como asma, esclerose e Parkinson, por exemplo”, afirmou o administrador.

Segundo Fernando Fernandes, que é deputado distrital licenciado, a Administração ofereceu ao projeto Jovem de Expressão espaços como o coreto em frente ao local onde hoje acontecem as atividades, a quadra esportiva, a Escola Classe 3 (em turno noturno e aos finais de semana) e o auditório da própria Regional.

jovem de expressao ceilandia
Projeto é uma referência na cultura do hip hop na Ceilândia. Foto: Reprodução

Cultura e saúde pública

“Não podemos deixar de atender a farmácia que atualmente distribui mais de 270 remédios para moradores de Ceilândia, Águas Lindas (GO), Samambaia, Taguatinga e outras cidades”, pontua.

O antigo posto policial, atualmente usado pelo Jovem de Expressão, foi batizado por eles de Galeria de Arte Periférica e estava abandonado. O projeto solicita o uso definitivo do espaço, com as devidas autorizações legais. “Não vamos aceitar. Cultura também é saúde pública”, afirma Max Maciel, um dos líderes do Jovem de Expressão. 

O reduto de jovens na Praça do Cidadão é usado para Iniciativas como as oficinas de maquiagem, dança e de artes visuais, além de cursinho gratuito para preparar jovens para o Enem e para vestibulares. Todas elas estão em xeque.

Decisão pendente

Segundo o administrador, no entanto, a decisão não está tomada porque depende de aprovação da Coordenadoria de Patrimônio do GDF. Desta forma, cabe à Administração apresentar um parecer sobre o uso do espaço e solicitar a gestão do local.

Veja a íntegra do texo de Max Maciel, do Jovem de Expressão:

O Jovem de Expressão está em risco!

Relutamos muito em fazer esse chamado público de mobilização em defesa do Jovem de Expressão, mas chegamos no nosso limite. Mesmo que aumentem os ataques contra nós, não vamos mais aguentar calados, nossa melhor defesa é o ataque.

Talvez você já conheça, talvez não. Mas há mais de 15 anos ocupamos a Praça do Cidadão, em Ceilândia, acreditando no empoderamento da juventude e na transformação de realidades a partir do uso saudável do espaço público.

Formamos milhares de jovens nesse tempo todo. Gente que conseguiu se inserir no mercado de trabalho, que aprendeu uma profissão, gente que foi aprovada na Universidade pública. São vários os exemplos reais de como investir e acredita nos jovens é transformador.

Mas tem gente incomodada com isso. E gente poderosa, influente.

Afinal, um espaço público, aberto, plural aqui na quebrada é impensável para eles.

E por isso organizam um projeto de desmonte da Cultura, das políticas públicas organizadas em parceria com a sociedade civil.

Centro de Juventude fechado. Centro Cultural de Ceilândia não entregue. E agora isso, querem acabar com o Jovem de Expressão.

E como sabem que isso não se faz do dia para noite, fazem por partes.

Primeiro tentam nos criminalizar, com policiais disfarçados espalhados pela Praça todos os dias. Depois compartilham fake news sobre o projeto.

E, agora, querem fechar a única Galeria de Arte Periférica de Ceilândia. Querem nos tirar de um espaço que a Polícia tinha abandonado, que reformamos, investimos e requalificamos para que o povo pudesse usar.

Não sem a nossa resistência. Não vamos e não podemos aceitar. Cultura também é saúde pública. Tudo que nois tem é nois e não vão tirar isso de nois.

E é por isso que pedimos a sua ajuda. Pedimos o seu engajamento, a sua mobilização em defesa da juventude periférica.

A mobilização nos espera!

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