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Isenção do IR beneficia mais de 100 mil bancários

Ao todo, a nova regra atingirá cerca de 15 milhões de trabalhadores

  • Sindicato dos Bancários
  • 11/02/2026
  • 14:00

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Imagem: Reprodução/Bancários DF

SEEB (*)

Estudo elaborado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) sobre os impactos da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais e reduz a cobrança para rendas intermediárias comprovam o que a CUT tem dito ao longo de sua história sobre justiça tributária – quem ganha mais tem de pagar mais, quem ganha menos paga menos. 

A nova regra foi sancionada em novembro de 2025 pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva e já pode ser sentida nos holerites de fevereiro. “É uma luta de muitos anos das centrais sindicais, especialmente da CUT, pela atualização da tabela do IR para quem ganha até R$ 5 mil. É uma conquista para a classe trabalhadora”, afirmou o secretário-geral da CUT, Renato Zulato, durante um ato da Central no último dia 5.

A nota técnica do  Dieese mostra que a lei 15.270 deve retirar ou reduzir o imposto de aproximadamente 15 milhões de trabalhadores. Cerca de 10 milhões de pessoas deixam de pagar o tributo e outras 5 milhões passam a recolher menos. Serão 8,9 milhões e 6,2 milhões mulheres.

No setor bancário, segundo o Dieese, a partir da RAIS 2024, cerca de 45,9 mil trabalhadores ficarão isentos do IR, o que representa uma economia anual de R$ 111 milhões. Outros 75,9 mil terão redução do imposto pago, somando uma economia de R$ 149,6 milhões ao ano. Aproximadamente 122 mil bancários (30% da categoria), serão beneficiados, com impacto de R$ 260 milhões por ano. Desse total, 53% são mulheres.

O recorte por cor e raça evidencia desigualdades estruturais do mercado de trabalho. Entre os celetistas, 92% das mulheres negras e 88% dos homens negros passam a ficar isentos. Entre homens não negros, o percentual é de 77%.

Na prática, a medida alcança quase integralmente setores de menor remuneração. No serviço doméstico, 97% das trabalhadoras e trabalhadores ficam isentos. Nos ramos de alojamento e alimentação, o índice chega a 96%.

No comércio, cerca de 91% dos empregados deixam de pagar o IR, representando 8,5 milhões de comerciários. Mesmo na indústria de transformação, setor com salários médios mais elevados, 80% dos trabalhadores são beneficiados.

PAGA MAIS QUEM GANHA MAIS – Contribuintes com rendimentos anuais superiores a R$ 600 mil passam a pagar alíquotas progressivas, que chegam a 10% para quem recebe acima de R$ 1,2 milhão por ano. Cerca de 140 mil pessoas estão neste grupo. Antes da reforma, o sistema brasileiro era regressivo no topo da renda. Pessoas muito ricas pagavam, proporcionalmente, menos imposto do que trabalhadores de renda intermediária. A nova lei busca corrigir essa lógica.

O impacto econômico também é relevante. O Dieese estima que cerca de R$ 26,2 bilhões adicionais por ano passem a circular na economia, sendo R$ 20,9 bilhões entre celetistas e R$ 5,2 bilhões entre servidores estatutários. Esse aumento da renda disponível tende a fortalecer o consumo das famílias e dinamizar o mercado interno.

INFORMAR É PRECISO – O estudo também aponta um desafio de informação, pois 75% da população apoiam a ampliação da isenção e 60% defendem a taxação dos super-ricos, mas 56% ainda desconhecem essa política pública. 

Para a CUT, a ampliação da isenção do IR mostra que a organização e a luta coletiva produzem resultados concretos na vida dos trabalhadores. A entidade destaca, no entanto, que a mobilização precisa continuar em outras frentes, como no enfrentamento à jornada 6×1, que compromete a saúde, o convívio familiar e a qualidade de vida de milhões de trabalhadores.

“Vamos continuar lutando durante todo o ano e orientando os sindicatos a incluírem essas reivindicações nas negociações coletivas, para criar um paradigma nacional e demonstrar ao Congresso que se trata de uma grande manifestação popular”, afirmou Renato Zulato.

(Com CUT e Seeb São Paulo)

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