A empresária Ana Paula Rezende anunciou, sábado (22), sua filiação ao PL, ao lado do senador Wilder Morais. Ambos sonham com uma chapa para concorrer às eleições de outubro, com o parlamentar disputando o governo de Goiás e Rezende de vice.
Embora pareça mais uma movimentação eleitoral, a novidade desonra a história do pai de Ana Paula, um dos maiores políticos da história de Goiás, morto em 2021 em decorrência de um AVC. Além de senador, governador e prefeito de Goiânia, Iris Rezende foi um dos principais nomes do MDB contra a ditadura militar no Brasil e teve o mandato cassado em 1969.
Para se ter uma ideia do tamanho do espólio político de Rezende, até Marconi Perillo (PSDB) tentou atrair Ana Paula para seu grupo. Perillo venceu Iris em três eleições para governador. A “bolsonarização” de Ana Paula foi alvo de críticas de antigos aliados de seu pai.
O deputado estadual Amilton Filho (Avante) lembrou que o “último ato político” de Iris foi a articulação do MDB com Ronaldo Caiado (PSD) para compor o Governo. Iris teria sido um dos responsáveis por indicar o atual vice-governador, Daniel Vilela, para formar a chapa majoritária vitoriosa em 2022.
Para tentar amenizar o desgaste, Ana Paula publicou uma “carta aos iristas”, na terça-feira (24). No documento, afirma que a mudança partidária ocorreu após um período de “reflexão, oração e diálogo” e que o ingresso no PL representa a busca por um espaço onde possa atuar com “liberdade e convicção”.
A filiação de Ana Paula Rezende ao PL não a garante como candidata. O deputado federal Gustavo Gayer ainda tenta articulação interna no PL para compor uma chapa com Daniel Vilela, onde ele seria um dos nomes ao Senado, ao lado de Gracinha Caiado (União Brasil). Desse modo, o partido da família Bolsonaro não teria nome próprio ao governo de Goiás.
Na terça, o deputado gravou um vídeo na sede do PL, ao lado de Flávio Bolsonaro, que declarou que Gayer é, sim, o nome da legenda para o Senado em Goiás.