Insegurança alimentar: “ecos” da pandemia?

BSB Capital 19/06/2022 às 15:00, Atualizado em 20/06/2022 às 16:23

33 milhões de brasileiros estão em situação de fome. Isto se deve a políticas públicas ineficazes, que preterem os que mais necessitam

Foto: Reprodução

Fátima Sousa (*)

O estudo “Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil”, lançado recentemente, aponta que a incerteza quanto ao acesso aos alimentos e o comprometimento da qualidade da alimentação atingem 28% dos brasileiros.

A restrição quantitativa aos alimentos alcança atualmente mais de 30% dos domicílios, dentre os quais 15,5% têm convivido com a fome. São mais de 33 milhões em situação de fome atualmente no Brasil e 125 milhões de pessoas vivendo diuturnamente com a insegurança alimentar batendo em suas portas.

Isso se deve à crise sanitária sem precedentes que vivemos e, sobrepostas a ela, as crises política e econômica. As iniquidades da garantia do direito humano a uma alimentação adequada e saudável, expressas pelo acesso desigual e insuficiente a renda, bens e serviços, e por políticas públicas ineficazes, que preterem os que mais necessitam, não somente têm contribuído para o perpetuar-se das desigualdades, como também fizeram com que o Brasil retornasse ao Mapa da Fome.

E no Distrito Federal?

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados em setembro de 2020, mostram que 49 mil famílias do DF vivem em situação de fome, agravada pelas dificuldades econômicas da pandemia, e 319 mil domicílios estão em situação de insegurança alimentar.

O governador Ibaneis Rocha afirmou que a fome em 2021 seria um grande problema a enfrentar. Mas o que tem sido feito? Enquanto esse cenário é “analisado”, famílias lutam por uma refeição com arroz, feijão e carne. Em alguns lares, doações e auxílios têm sido as únicas possibilidades para se ter mais que água na geladeira.

Progressivamente, a população padece do desemprego e vem empobrecendo. Como se isso não fosse o bastante, é estratosférica a alta dos preços dos alimentos “básicos”, limitando o poder de compra de grande parte da população ou, por vezes, demandando dela a substituição dos alimentos na mesa.

Mudar esse cenário requer a adoção de políticas e estratégias sustentáveis de produção, distribuição, acesso e consumo de alimentos de qualidade, além de promoção da saúde e de uma alimentação adequada e saudável, de forma equânime e universal.

Fazer isso cabe a cada um de nós! Juntos, podemos fazer mais pelo Distrito Federal. Governantes são eleitos pelo povo e governam para (e com) o povo.

(*) Enfermeira e professora

Leia mais em Brasília Capital

Deixe um comentário

Rolar para cima