Ibaneis torrou R$ 730 milhões com propaganda

BSB Capital 24/06/2022 às 17:03, Atualizado em 25/06/2022 às 13:30

Dados são do Siggo, levantados pelo gabinete da deputada Arlete Sampaio, em relação aos primeiros três anos do governo

Ibaneis Rocha. Foto Reprodução

José Silva Jr

No dia 13 de maio, ao ser questionado pelo Brasília Capital sobre o investimento do Governo do Distrito Federal na campanha publicitária do túnel de Taguatinga, o secretário de Comunicação, Weligton Moraes, respondeu:

Weligton Moraes. Foto: Reprodução

“Toda a despesa de publicidade do GDF está no Portal da Transparência e no DODF. Diferente da época do governo Arruda (à época, Moraes também comandava a Secom), quando não era tornada pública. Principalmente as despesas com uma assessoria de imprensa contratada pela Caesb”. O presidente da Caesb era Fernando Leite, atual presidente da Novacap, que não se posicionou a respeito.

Na última semana, o Brasília Capital pesquisou no Portal da Transparência e no DODF. Ao contrário do que disse o titular da Secom, não foi localizada nenhuma prestação de contas dos gastos do governo com publicidade.

O jornal, então, recorreu ao gabinete da deputada Arlete Sampaio (PT), que pesquisou no Sistema Integral de Gestão Governamental (Siggo). Embora não detalhe os gastos por campanha, o Siggo faz um apanhado das despesas como um todo.

A constatação: nos primeiros três anos da gestão Ibaneis Rocha, o GDF torrou R$ 731,7 milhões com propaganda. Mas a Secom não tem disponibilizado o balanço trimestral da verba com o carimbo de publicidade.

Planejamento flerta com o desperdício

Todo esse gasto foi feito enquanto a máquina pública quebra engrenagens importantes no campo social. Por exemplo, com o derretimento de um programa vital para famílias carentes, como é o caso dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras). Ou seja, Ibaneis Rocha tenta, com a gastança em propaganda, esconder o que está malfeito no seu governo.

Só para divulgar as etapas do faraônico túnel de Taguatinga o GDF tem derramado dinheiro em todo tipo de mídia – painéis eletrônicos, outdoors, circuitos fechados de TVs em restaurantes e elevadores, blogs, além de rádios, emissoras de televisão e jornais.

O planejamento da Secom flerta com o desperdício de dinheiro público.  A propaganda oficial investiu, por exemplo, em painéis e outdoors e outros veículos de comunicação da parte Norte do DF, em cidades como Paranoá, Lago Norte, Sobradinho e Planaltina para anunciar o túnel de Taguatinga. Ou seja, para informar um público que não será impactado pela obra.

Falida, SAB também anuncia

SAB-DF. Foto Reprodução

O escoamento do recurso público gasto com publicidade se faz por vários canais. Por exemplo: qual é o sentido de o Serviço de Limpeza Urbana (SLU) dispor de mais R$ 500 mil para publicidade. Durante a pandemia de covid-19, a empresa desembolsou R$ 280 mil para fazer propaganda.

Pior: o que a Sociedade de Abastecimento de Brasília (SAB), que está em vias de liquidação, tem a oferecer ao público? Mesmo assim, a SAB desembolsou R$ 65 mil de verba com anúncio em jornais, rádios e TVs.

R$ 133 milhões de propaganda durante a pandemia

Só no período da pandemia o GDF gastou mais de R$ 133 milhões em publicidade. A verba foi sob toda a sorte de rubrica. Menos com que realmente interessava, que é o caso da Secretaria de Saúde, a qual, de acordo com a tabela do Siggo que o Brasília Capital teve acesso, não fez qualquer gasto com publicidade.

Mesmo com o fechamento de praticamente tudo e a proibição da maioria da população de circular nas ruas da cidade, o governo gastou, de 2019 ao início de 2022, R$ 66 milhões em publicidade do Detran e do DER, `

A verba daria para construir 10 Unidades de Pronto Atendimento (UPA) semelhantes a do Gama. Lá, o GDF investiu R$ 6,8 milhões nas novas instalações, incluindo a obra, equipamentos e mobiliário. Isto desafogaria o sistema público de saúde, que é, sem dúvida, um calcanhar de Aquiles para Ibaneis, juntamente com o Cras, gerido pela primeira-dama Mayara Noronha Rocha.

Um reforço de R$ 85,74 milhões

No início do ano, o governador ainda encaminhou à Câmara Legislativa, que aprovou a matéria, um pedido de incremento de R$ 85,74 milhões no orçamento da Secom. A bolada se somou aos R$ 73 milhões já previstos na Lei Orçamentária Anual (LOA) para a pasta.

A deputada Arlete resumiu a conclusão do levantamento de seu gabinete sobre os gastos do GDF com propaganda: “Por esses dados fica evidente qual é a prioridade do governo. Com certeza não são as pessoas”.

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