Haddad (44%) faz autocrítica e Bolsonaro (56%) planeja governo

bsbcapitalPor ,25/10/2018 às 19:02, Atualizado em 25/10/2018 às 19:11

Militar se volta ao Centrão e tenta antecipar flexibilização da lei das armas. Haddad aposta em notáveis e crê em virada nos últimos minutos

Candidatos à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

A poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais, o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, se aproxima da base governista de Michel Temer (MDB). Já o petista Fernando Haddad reconhece erros do partido, mas não conquista aliados, como Ciro Gomes (PDT). Mesmo decrescente, a diferença entre os dois, segundo pesquisa DataFolha de quinta-feira (25), ainda era de 6 pontos.

Em vantagem, Bolsonaro prepara sua equipe de governo. Além dos cargos de primeiro e segundo escalões, o PSL pretende retirar os indicados – técnicos e funcionários de carreira – que foram nomeados entre 2002 e 2016. Apesar de o grupo do militar ter declarado intenção de cortar 25 mil cargos de confiança, a máquina do Executivo só possui 22 mil. Sendo assim, preveem a eliminação de 20 mil funções DAS (Direção e Assessoramento Superior).

Na Câmara dos Deputados, o presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ) pleiteia sua manutenção no cargo mais alto da Casa. Para isso, avalia votar a flexibilização da lei das armas. O projeto é do deputado Alberto Fraga (DEM-DF), que deve integrar o eventual governo Bolsonaro. A proposta visa retirar a exigência de que o cidadão comprove a necessidade de ter uma arma e diminuir a idade mínima para porte de 25 para 21 anos. Atualmente, cabe ao delegado da Polícia Federal julgar se a comprovação é justa ou não. A aproximação com o DEM é considerada vital para a governabilidade de uma futura gestão Bolsonaro. É o partido de Rodrigo Maia e do prefeito de Salvador, ACM Neto, que detém maior influência no chamado Centrão.

 

Haddad – Enquanto a classe artística, intelectuais e notáveis de vários cantos do mundo se unem em torno da candidatura de Fernando Haddad, o PT ainda patina em termos de efetivos apoios políticos. Após 15 dias tentando atrair, sem sucesso, Ciro Gomes (PDT), Haddad mantém em sua base Marina Silva (Rede), Guilherme Boulos (Psol) e tucanos Fernando Henrique Cardoso, Jarbas Vasconcelos e Alberto Goldman. Contudo, a diferença que era de 18%, chegou a 14% na última pesquisa. Em São Paulo – estado considerado reduto tucano – Haddad chegou a 51% das intenções de voto, contra 49% de Jair Bolsonaro.

A frente democrática de Haddad, com certa anuência da centro-direita, sofre resistência interna no PT. Adversários do partido exigem uma autocrítica para reforçar a candidatura petista. A contradição deve permanecer até o final. O objetivo daqueles que defendem o voto anti-Bolsonaro é acenar ao centro e buscar o eleitor mais pobre, historicamente ligado ao PT, mas atualmente distante dos ideais da legenda.

Arquiteto da candidatura de Haddad, Lula divulgou carta na quarta-feira (24) pedindo união aos democratas contra o que chama de “aventura fascista”. O aceno do maior líder da legenda mostra que a autocrítica de Haddad tem o aval de seu tutor e alimenta esperanças petista de virar nos últimos instantes da corrida eleitoral.

 

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