Guerra de Laudos

orlandopontesPor ,04/11/2013 às 14:50, Atualizado em 04/11/2013 às 14:50

João Carlos Bertolucci e Orlando Pontes   Único veículo de comunicação a recolher amostras do óleo que provocou uma mancha no Lago Paranoá na manhã do dia 17 de outubro e solicitar, com exclusividade, a análise do material a um laboratório particular (de uma empresa de pavimentação prestadora de serviços ao GDF que, por este …

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Jair Rodrigues, diretor da empresa que faz a manutenção das caldeiras do HRAN, afirma que o óleo não veio do Hospital
Jair Rodrigues, diretor da empresa que faz a manutenção das caldeiras do HRAN, afirma que o óleo não veio do Hospital

João Carlos Bertolucci e

Orlando Pontes

 

Único veículo de comunicação a recolher amostras do óleo que provocou uma mancha no Lago Paranoá na manhã do dia 17 de outubro e solicitar, com exclusividade, a análise do material a um laboratório particular (de uma empresa de pavimentação prestadora de serviços ao GDF que, por este motivo, pede total anonimato), o Brasília Capital, Editoria Navegar apurou que o solvente encontrado no espelho d’água é tolueno, cuja fórmula química é C6H5CH3. Já o solvente do óleo usado nas caldeiras do Hospital da Asa Norte (HRAN) é o benzeno (C6H6).

Isto, talvez, ponha luz sobre o laudo emitido pelo Laboratório de Materiais e Combustíveis do Departamento de Química da Universidade de Brasília (UnB). Assinado pelo Químico Responsável David Mark Mendes Pinho, e pelo responsável pelo laboratório, Professor Doutor Paulo Anselmo Z. Suarez, o documento da universidade afirma que, “apesar de não ter sido feita uma identificação dos produtos que compõem as amostras, devido à grande complexidade das mesmas, as análises realizadas permitem concluir que existe uma grande similaridade entre os materiais coletados no Lago Paranoá e na caldeira do HRAN”.

Não é o que entende o engenheiro Jair Rodrigues da Costa, dono da Técnica Construção, Comércio e Indústria, empresa responsável pela manutenção das caldeiras do HRAN. A pedido da Secretaria de Saúde, ele contratou o Quinossan – Laboratório Químico Ltda, que produziu um relatório de avaliação de contaminantes do lago, assinado pelo Químico Elias Divino Saba.

O químico começa seu trabalho explicando as características do óleo combustível utilizado para geração de energia térmica, esclarecendo que o produto só atinge o estado líquido (capaz de escoar, por exemplo, por uma galeria de águas pluviais) a uma temperatura mínima de 60ºC. O óleo combustível é dissolvido no benzeno (C6H6), um hidrocarboneto aromático também chamado benzol, ciclohexatrieno, hidreto de fenila e nafta de carvão, usado em lubrificantes, peças automotivas, tinta seladoras e preparados de lavanderia.

Em suas considerações finais, Elias Saba escreve que “a análise das amostras coletadas no lago e o óleo coletado na fonte da caldeira do HRAN mostraram divergências que comprovam que o óleo da caldeira não foi responsável pela mancha que apareceu no Paranoá, e a evidência está no solvente benzeno, presente no óleo BPF OC-2A, que não está presente nas amostras de água coletadas e analisadas do lago”.

E conclui: “outra evidência é a presença do tolueno em todas as amostras coletadas no lago Paranoá e no Iate Clube de Brasília. Esse solvente não apareceu no óleo BPF OC-2A, coletado no reservatório da caldeira do HRAN e também ausente na caixa de contenção do hospital. Portanto, mediante o exposto, a contaminação ocorrida de material betuminoso no Lago Paranoá, no Iate Clube, não é proveniente do HRAN”.

Na quarta-feira (30), diante do resultado do estudo do laboratório Quinossan, o Instituto Brasília Ambiental (Ibram) divulgou nota reafirmando que levará em consideração o laudo da UnB e, portanto, a multa de R$ 280,4 mil será aplicada à Secretaria de Saúde, que a repassará à Técnica Construção. Além disso, a empresa deve ser responsabilizada pelo trabalho de limpeza do lago, que está sendo feito pela empresa CDA – Centro de Defesa Ambiental – a um custo superior a R$ 2 milhões.

“Não é assim que as coisas funcionam em nosso país. Já solicitamos uma perícia judicial para confrontar os dois laudos. Caberá à Justiça, e não ao Ibram, decidir de quem é a culpa da poluição do lago”, rebate Jair da Costa.

 

Saiba +

O incidente do dia 17 causou um dos mais graves acidentes ambientais da história no Lago de Brasília, poluindo uma grande extensão das suas margens, causando a morte de animais, aves e peixes, além de causar danos em centenas de embarcações ancoradas nos píeres de clubes e marinas.

O laudo não afirma, em sua conclusão, que o material analisado é óleo de caldeira, mas apenas aponta evidências de “similaridades”. O secretário de Meio Ambiente, Eduardo Brandão, disse que o material é “algo parecido” com óleo de caldeira.

O jornal Brasília Capital, Editoria Navegar, foi o único veículo de comunicação de Brasília a encomendar uma análise própria e divulgar, com exclusividade, que a mancha encontrada no lago não era óleo de caldeira, mas, sim, piche. Técnicos de uma empresa de pavimentação, que pediram total anonimato, analisaram o material e constataram ser betume espesso de hidrogenato de coloração escura, extraído do petróleo. Ou seja: piche, material usado para pavimentação asfáltica. Inclusive, nas proximidades do Lago Paranoá, na avenida L2 Norte, e nas proximidades Palácio do Planalto e da Vila Planalto, onde estão sendo realizadas obras de recapeamento de vias.

O prejuízo ambiental foi de grandes proporções, tanto para a fauna do lago como, também, para os seus usuários. E o trabalho de limpeza não tem prazo para ser concluído, segundo informou à nossa reportagem, na quinta-feira (31) à tarde, o fiscal Soares, funcionário da Petrobras que está a serviço do Centro de Defesa Ambiental (CDA) da empresa, que contratou a Alpina Briggs para realizar o serviço. Sua equipe é formada por 13 pessoas e está usando barreiras de contenção plásticas e de espuma em sua tarefa.

1 comentário em “Guerra de Laudos”

  1. david mark mendes pinho

    Não faz sentido ser do asfalto, acredito que haja várias bocas de lobo que despejam as águas pluviais no Lago Paranoá, e como saiu óleo de somente uma?

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