Guará se mobiliza contra a privatização do Cave

BSB Capital21/01/2022 às 6:31, Atualizado em 26/01/2022 às 12:22

Mobilização iniciada em 2020 ganha força na comunidade, mas não altera disposição do GDF

O famoso ginásio do Cave tem cara de abandonado. Foto: Antônio Sabino/ Brasília Capital

No dia 20 de janeiro de 2020, um grupo de cerca de 20 pessoas tentava chamar a atenção de outros moradores do Guará empunhando faixas com inscrições imperativas do tipo “Tirem as mãos do Cave” e “O Cave é Nosso”. 

O protesto deles fazia alusão à polêmica disposição do Governo do Distrito Federal (GDF) de entregar a exploração dos espaços do Centro Administrativo Vivencial e Esporte (Cave) para a iniciativa privada.

De lá para cá, o grupo se fortaleceu. Artistas, produtores e lideranças comunitárias intensificaram a luta em defesa do Complexo do Cave. Até sexta-feira (14), haviam colhido 289 assinaturas para o abaixo-assinado intitulado “Livro de Ouro contra a PPP do Cave”. 

Já deram várias entrevistas para emissoras de rádio e TV, escreveram artigos em jornais e pediram ajuda ao Ministério Público para embargar a privatização. Em outra frente, na internet, o protesto ganhou mais signatários. Atualmente, tem 2.430 assinaturas.

Mas, até agora, nada disso foi suficiente. O processo de licitação para privatização do Complexo Cave continua tramitando. 

Manifestação em janeiro de 2020. Foto: Reprodução

Discussão começou com Rollemberg

A mudança de gestão é sonho antigo e perpassa governos.  Começou em 2016 na gestão de Rodrigo Rollemberg (PSB), quando foi publicado o Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) com o objetivo de obter estudos de modelagem técnica, econômico-financeira e jurídica para concessão do Complexo. Mas não avançou.

Agora, sob a direção de Ibaneis Rocha (MDB), o tema volta à ribalta e atrai adeptos e refratários, capitaneado pela Secretaria de Esporte e Lazer. A vencedora do certame público rezará na cartilha do governo: construir, reformar, modernizar, operar e manter os referidos equipamentos, efetuando pagamento ao poder público do valor da outorga, pelo prazo inicial de 30 anos, prorrogável uma vez por mais cinco anos. 

Destinação

A concessão do espaço não concede a mudança de destinação da área. Ou seja, lá não poderá, por exemplo, ser construído um shopping. Mas, como tudo no Distrito Federal se muda a partir da Câmara Legislativa, basta um lobby bem feito para a vontade dos nobres parlamentares mudar e fazer com que a destinação seja alterada e, daí, erguer qualquer edificação naquela área gigante da QE 25, onde estão o ginásio, o estádio de futebol e o kartódromo. 

Estrutura abandonada

Hoje, a situação desses equipamentos corrobora para a vontade da maioria dos moradores de aceitar a privatização do espaço. Para se ter uma ideia do completo abandono, basta olhar para o telhado do ginásio. completamente destruído. 

Segundo os moradores, as marcas foram deixadas pelas chuvas. Não esse último período chuvoso que desabou sobre a cidade no final de 2021 e início deste ano, alagando cidades pelo País afora.

O temporal que fez vir abaixo o telhado do ginásio remete-se há dois anos. E desde então, ninguém fez nada para reparar o dano e devolver o equipamento para a população. 

“Está abandonado. Caiu a árvore em cima, e nada”, afirma a moradora Cecília Oliveira. Foto: Antônio Sabino/ Brasília Capital

Lucro

Esse abandono é que faz a dona de um quiosque situado na frente do complexo esportivo ficar em dúvida sobre a privatização do espaço.  

“Está abandonado. Caiu a árvore em cima, e nada. Três anos que o ginásio está desse jeito. Alguém tem de tomar conta. Como o governo não assume, pode ser que a iniciativa privada resolva. Mas não sei se vai funcionar e ser bom para a população”, avalia Cecília Lima Oliveira, 50, que mora em Vicente Pires.

O militar Geison Luiz, 35 anos, morador do Guará, também ficou em cima do muro quando soube desse projeto. Para ele, o temor está justamente no fato do valor da entrada para os equipamentos, caso venham a ser privatizados. “A empresa que pegar vai querer ter lucro. Então, tem de ver ser vai ser caro acesso”, disse ele. 

O morador Geison Luiz está em dúvida sobre a privatização. Foto: Antônio Sabino/ Brasília Capital

Secretaria de Esportes realizou audiências

Em nota, a Secretaria de Esporte e Lazer informa que instituiu a comissão de licitação para dar prosseguimento ao processo licitatório após a análise do Tribunal de Contas do DF. A comissão nomeada irá analisar o processo, construir o Edital, lançar a licitação nas próximas semanas e analisar as propostas.

Toda PPP, por exigência legal, requer a realização de consulta pública, com o objetivo de dar publicidade e fomentar a discussão popular. A SEL realizou duas audiências públicas sobre o Cave nos dias 20/10/2020, às 11h15, no Salão Nobre do Palácio do Palácio do Buriti e 26/01/2021, às 11h15, no Salão Nobre do Palácio do Palácio do Buriti. As atas estão publicadas no DODF.

A Administração Regional do Guará foi procurada, mas não se manifestou sobre o assunto até a publicação desta matéria.

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1 comentário em “Guará se mobiliza contra a privatização do Cave”

  1. Pois é, mas se o GDF não é capaz, por falta de verba, de manter o CAVE, e demais dependências da área, acredito eu que melhor seria passar para a iniciativa privada. Um contrato com todas as diretrizes mantenedoras, em caso de descumprimento a fiscalização aplicaria multas relativas.

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