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Grávidas deitam no chão no Hospital de Ceilândia

  • Redação
  • 26/02/2015
  • 08:43

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A denúncia veio à tona e o Hospital Regional de Ceilândia (HRC) confirmou: por falta de leitos, mães foram acomodadas em colchões no chão da unidade de saúde após o parto, na madrugada de ontem. Mesmo que já resolvido, segundo o coordenador geral de saúde de Ceilândia, Fernando Araújo, o problema é um reflexo da superlotação. As imagens foram enviadas ao JBr. via Whatsapp.

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De acordo com Araújo, as internações de gestantes nos últimos dias ultrapassaram o número normal e sobrecarregaram o hospital. Geralmente, o HRC atende entre 20 e 22 grávidas por dia, mas   chegou a receber 32. \”Tive conhecimento do problema hoje (ontem) e, ainda pela manhã, conseguimos transferir as mães para outras regionais. Não temos mais   pacientes no chão\”, afirma.

Ele explica que, ao receber um número elevado de gestantes, o HRC teria duas opções: fechar as portas, possibilitando um parto de risco na rua, ou acolher as mães. \”Optamos pela segunda opção, mas, a partir de agora, ficaremos atentos para minimizar a chance de reincidência do problema, algo ainda possível. Além disso, em casos de superlotação, a ação prioritária será transferir os pacientes\”, garante.

Araújo declara que, mesmo que o atendimento tenha sido feito no chão, não faltou medicamento para as mães, assim como leitos para os bebês. \”A carência é de leitos adultos, os infantis, de acrílico, temos bastante\”, completa.

Obra

Ele ressalta  que o GDF apresentou  solução a longo prazo para o caso: uma proposta de construção de um bloco a mais no HRC, próximo ao pronto-socorro da pediatria. A previsão é de que as obras comecem até o final deste ano. \”Por enquanto, as unidades vão funcionando como uma rede integrada, ou seja, quando não há vaga, transferimos para outro. Isso está funcionando muito bem\”, conclui.

Entretanto, segundo os pacientes que buscaram atendimento na tarde de ontem, a realidade é outra. Grávida de oito meses e mãe do Yuri, de um ano, a dona de casa Crislaine Silva de Carvalho, 22, teve de procurar três hospitais   para conseguir atendimento para o filho, que tinha sido mordido por um cão. \”Às 15h30, fui  a   Ceilândia, mas fui avisada de que não havia cirurgião. Depois, fui a Samambaia e recebi a mesma informação. Voltei ao HRC, pois já tinha preenchido a ficha do meu filho ali, mas continuei sem previsão de atendimento. Por fim, às 21h, fui para  Taguatinga\”, conta.

Crislaine demonstra preocupação com a denúncia no HRC. \”Vou ter meu outro filho em Ceilândia,   o parto   será em março. Além de ser um absurdo acomodar   gestantes no chão, é perigoso, pois aumenta a chance de   mãe e  bebê contraírem bactéria. Estou  preocupada\”, diz.

Desespero toma conta da população

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A cabeleireira Evaneide Pereira Silva, 41 anos, mãe do Kauã, 11, também está indignada com o atendimento nos hospitais públicos do DF. Ontem, ela esperou por mais de oito horas por um ortopedista para o filho no Hospital Regional de Ceilândia (HRC). \”No fim da tarde, quando fui perguntar na secretaria quantas pessoas estavam na minha frente, a atendente disse que não sabia informar, pois o sistema estava fora do ar, mas que o último paciente chamado tinha dado entrada no hospital às 9h30. E, enquanto isso, meu filho continua com o pulso roxo e morrendo de dor\”, informa. O menino se machucou após cair de skate.

Preocupados com a falta de leitos no HRC,  o comerciário Francisco Assis, 44, e a dona de casa Elenita Aquino Abade, 22, grávida de nove meses, decidiram ir para o hospital na tarde de ontem. \”Dependendo do que o médico falar, nós já ficamos internados aqui, pois já estou na hora de ter o bebê. A minha angústia é enorme, me recuso a deitar no chão. Isso, além de ser humilhante, é questão de saúde,  de evitar infecção. Uma pessoa operada não tem condições de ficar levantando do chão\”, conclui.

DF deve licitar serviço de alimentação

A 3ª Vara de Fazenda Pública   condenou o Distrito Federal a  regular licitação para contratação de prestador de serviço de alimentação hospitalar na rede pública,   no prazo de 60 dias da intimação da sentença. A decisão proibiu qualquer contratação emergencial ou prorrogação de contratos, salvo com autorização judicial. Ainda cabe recurso.

O Ministério Público ajuizou ação civil para restabelecer a regularidade na prestação da alimentação. Alega que os serviços vêm sendo prestados sem licitação desde 2009 e que a Secretaria de Saúde vem retardando o procedimento de licitação, sem justa causa.

O DF   argumentou que as contratações diretas foram legítimas, que diante das dificuldades da realização do procedimento licitatório para contratação definitiva, e para evitar riscos ao sistema de saúde, foi obrigado a fazer contratações emergenciais.

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